Forças iranianas atacam Barein e Kuweit após EUA atacarem sul do Irã

21 jul 2026 - 08h31
(atualizado às 12h20)

Forças dos Estados Unidos bombardearam alvos no sul ‌do Irã durante a madrugada, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Teerã pagaria caro pelas mortes de soldados norte-americanos, enquanto o Irã atacou instalações dos EUA no Barein, no Kuweit e na Jordânia, e um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz.

Essas trocas de ataques ocorreram um dia depois que os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial na guerra e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio além do Golfo Pérsico.

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Apesar do ciclo crescente de ataques que praticamente destruiu ⁠um acordo de paz provisório assinado no mês passado, sinais de que Teerã e Washington desejam retomar as negociações mantiveram os preços do petróleo sob ‌controle.

O Comando Central dos EUA informou ter concluído sua última rodada de ataques ao Irã, afirmando ter atingido centros de comando militar iranianos, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones, além de sistemas de defesa aérea.

Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, ‌enquanto Konarak e Chabahar, na costa sul, também foram alvo de ataques, segundo a mídia ‌estatal.

O Irã respondeu com novos ataques em todo o Golfo Pérsico, onde recentes ataques a instalações de dessalinização geraram preocupações com a ⁠escassez de água e ressaltaram a crescente ameaça à infraestrutura civil.

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A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado infraestruturas no Barein pertencentes à empresa de tecnologia norte-americana Amazon, em retaliação ao que descreveu como um ataque dos EUA ao canteiro de obras da usina nuclear de Darkhovin, planejada pelo Irã.

A mídia estatal iraniana informou que as forças iranianas também atacaram instalações de alojamento utilizadas por militares norte-americanos na Base Aérea Sheikh Isa, no Barein. Não houve comentários imediatos por parte das Forças Armadas dos EUA, do Barein ou da Amazon sobre os incidentes relatados, que a Reuters não conseguiu verificar.

O Exército ‌iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra três bases militares norte-americanas no Kuweit na terça-feira. A Guarda Revolucionária declarou ter atacado uma instalação militar norte-americana ‌na Jordânia, e a Jordânia informou que suas ⁠forças interceptaram e destruíram cinco drones iranianos.

PETROLEIROS ⁠ATINGIDOS

A agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou nesta terça-feira que um petroleiro no Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil ⁠desconhecido, forçando sua tripulação a abandonar a embarcação e embarcar em um bote salva-vidas.

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Também na terça-feira, ‌a Guarda Revolucionária do Irã informou que ‌dois petroleiros pegaram fogo após explosões enquanto tentavam transitar pela rota sul do Estreito de Ormuz. Não ficou claro imediatamente quando esses incidentes ocorreram.

O Irã vinha pressionando os houthis a fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana — colocando em risco duas das artérias energéticas mais vitais do mundo.

Um fechamento total de Bab el-Mandeb reduziria o abastecimento ⁠global de petróleo em 7%, já que impediria que a maior parte das exportações de petróleo sauditas saíssem da região. Essa interrupção se somaria ao enorme corte no fluxo de petróleo causado pela guerra no Golfo, que já reduziu os embarques em 10% do abastecimento global.

Após o anúncio do bloqueio pelos houthis, a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen informou que começou a implementar medidas de proteção para seus navios que transitam pelo Estreito de Bab el-Mandeb.

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Os mercados de petróleo avaliaram a ameaça ao transporte marítimo em relação ‌aos relatos de esforços diplomáticos para conter o conflito, com os preços de referência do petróleo Brent apresentando uma ligeira queda no início do pregão.

ESFORÇO DIPLOMÁTICO

Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em ⁠um esforço para salvar o acordo provisório, destinado a abrir caminho para um acordo duradouro que ponha fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. Posteriormente, ele chegou a Islamabad para novas negociações.

A última fase dos combates revelou-se uma das mais mortíferas do conflito para as forças norte-americanas. O número de mortos entre as tropas dos EUA subiu para 17 no fim de semana.

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Trump, sob crescente pressão interna devido ao aumento dos preços da gasolina desde o início da guerra, afirmou que os últimos ataques dos EUA ao Irã foram uma homenagem aos militares norte-americanos mortos.

"Sempre que o Irã matar um soldado norte-americano, pagará por esse assassinato muitas vezes mais! Essa diretriz foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes das Forças Armadas", escreveu Trump no Truth Social na segunda-feira.

A guerra já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Partes do Líbano permanecem sob ocupação israelense após ataques a Israel por combatentes do Hezbollah, que afirmaram estar agindo em solidariedade a Teerã.

O presidente libanês, Joseph Aoun, deve se reunir com Trump na Casa Branca nesta terça-feira para apresentar um plano sobre como desarmar o Hezbollah, aliado do Irã, e garantir a retirada israelense.

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