O programa do FMI para a Ucrânia integra o mecanismo conhecido como EFF (Extended Fund Facility), voltado a países que enfrentam choques prolongados e precisam de reformas profundas. No caso ucraniano, o pacote inclui metas de combate à corrupção, ajustes fiscais e fortalecimento da política monetária. A instituição avalia que, apesar da guerra, o governo conseguiu preservar o funcionamento básico do sistema financeiro e manter o banco central operando com relativa estabilidade.
A guerra iniciada em fevereiro de 2022 continua impondo pressão diária sobre a economia ucraniana, com ataques russos a infraestrutura energética, logística e centros urbanos. O FMI afirma que o país enfrenta "risco excepcionalmente elevado", mas destaca que as autoridades mantiveram controle sobre inflação, câmbio e fluxo de pagamentos. Para o Fundo, esse desempenho é decisivo para garantir a continuidade do programa de financiamento.
Em comunicado divulgado na segunda-feira (20), o FMI afirmou que a Ucrânia "manteve uma estabilidade macroeconômica e financeira apesar da guerra contínua da Rússia, de um ambiente externo mais difícil e de riscos excepcionalmente grandes". A instituição considera que os resultados do programa são "amplamente satisfatórios", o que permitiu a liberação da nova parcela.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, declarou que a Ucrânia demonstra "resiliência notável" diante da guerra e que a estabilidade macroeconômica permanece "a prioridade imediata". Ela ressaltou que o país precisa avançar nas reformas previstas para garantir previsibilidade fiscal e fortalecer instituições públicas, especialmente em áreas vulneráveis à corrupção.
A continuidade do apoio financeiro internacional é considerada essencial para o governo ucraniano, que enfrenta queda de receitas, aumento de gastos militares e destruição de infraestrutura crítica. O FMI afirma que seguirá monitorando o cumprimento das metas e que novas liberações dependerão da evolução das reformas e da capacidade do país de manter estabilidade em meio ao conflito.
FMI vê avanços econômicos apesar da guerra e cobra reformas estruturais
A liberação da nova parcela ocorre em um momento de incerteza sobre o ritmo de apoio internacional à Ucrânia, que depende de repasses multilaterais para financiar serviços públicos e estabilizar o orçamento. O FMI destaca que o país precisa manter disciplina fiscal e reforçar mecanismos de controle para evitar desvios em contratos públicos, especialmente em setores estratégicos.
O governo ucraniano afirma que as reformas previstas no acordo avançam, embora o conflito limite a capacidade de implementação. A pressão sobre o sistema energético, alvo frequente de ataques russos, continua sendo um dos principais desafios para a economia. A destruição de usinas e redes de transmissão afeta produção industrial, transporte e serviços essenciais.
O FMI também monitora a política monetária ucraniana, que passou por ajustes desde o início da guerra para conter inflação e estabilizar o câmbio. O banco central adotou medidas emergenciais em 2022 e 2023, incluindo controles temporários de capital e intervenções no mercado de câmbio. A instituição considera que essas ações foram eficazes para evitar uma crise financeira mais profunda.
Nova parcela mantém pressão por estabilidade fiscal
A guerra prolongada mantém o país dependente de ajuda externa, e o FMI afirma que o programa de financiamento é parte de um esforço coordenado com outros parceiros internacionais. A instituição reforça que o cumprimento das metas é fundamental para garantir previsibilidade e permitir novas liberações ao longo do ano.
A revisão do programa, concluída nesta segunda-feira (20), indica que o FMI continuará acompanhando de perto a situação fiscal e monetária da Ucrânia. A instituição afirma que o país precisa manter o foco em reformas estruturais para fortalecer instituições e reduzir vulnerabilidades internas, especialmente em áreas sensíveis como contratos públicos e gestão tributária.
A nova liberação reforça o papel do FMI no apoio à Ucrânia desde o início da guerra, complementando repasses bilaterais e ajuda militar fornecida por aliados ocidentais. A instituição afirma que seguirá avaliando o impacto da guerra sobre a economia e que novas revisões serão realizadas nos próximos meses.
Com AFP