Filho de ex-presidente mexicano afirma que EUA revogaram seu visto

14 ago 2026 - 14h13

Andrés Manuel López Beltrán, filho ‌do ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, afirmou que os Estados Unidos revogaram seu visto, acusando o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário adjunto Christopher Landau de ordenarem o que ele chamou de uma decisão motivada por razões políticas.

López Beltrán, amplamente conhecido como "Andy", fez a alegação ⁠em uma carta ao presidente dos EUA, Donald Trump, divulgada na noite de ‌quinta-feira. Ele afirmou que as autoridades norte-americanas não apresentaram nenhuma evidência que o ligasse a qualquer crime ou irregularidade.

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Washington ampliou uma campanha contra ‌autoridades mexicanas acusadas de terem ligações com o ‌crime organizado. A Reuters noticiou em outubro que o governo Trump ⁠havia revogado os vistos de pelo menos 50 políticos e autoridades mexicanas, incluindo figuras de todo o espectro político, como parte de sua ofensiva contra os cartéis.

Os cancelamentos de vistos podem se aplicar a autoridades envolvidas em tráfico de drogas, corrupção ou auxílio à imigração ilegal, segundo autoridades do ‌Departamento de Estado.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse nesta sexta-feira que não tinha ‌conhecimento de nenhuma investigação ⁠por parte da ⁠promotoria mexicana contra López Beltrán e classificou as revogações de vistos dos EUA contra ⁠mexicanos "politicamente expostos" como uma questão de ‌soberania nacional.

"Isso equivale a uma ‌interferência na política mexicana", afirmou Sheinbaum. "Não vejo nenhuma outra razão para isso."

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A embaixada dos EUA no México se recusou a comentar, e o Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

López ⁠Beltrán renunciou recentemente à liderança do partido Morena, no poder, fundado por seu pai. Em sua carta, ele chamou a revogação do visto de "ato grosseiro e perverso" por parte de autoridades norte-americanas e radicais que, segundo ele, têm como alvo políticos estrangeiros ‌rotulando-os de "comunistas", "ameaças à segurança dos EUA" ou "narco-terroristas".

O político de esquerda de 39 anos deixou seu cargo no partido enquanto se prepara para concorrer a ⁠uma vaga na Câmara dos Deputados do México nas eleições de 2027, provavelmente representando um distrito em seu Estado natal, Tabasco. Ele disse que espera que Trump responda às preocupações levantadas em sua carta.

Na carta, López Beltrán também afirmou que não se importaria de evitar viajar para os Estados Unidos, país que descreveu como passando por um período de ódio, racismo e dependência química.

Ele também se referiu a uma carta aberta publicada por seu pai em junho, na qual o ex-presidente acusou Washington de usar "práticas intervencionistas e inescrupulosas" para fortalecer a oposição de direita do México e enfraquecer seu movimento de esquerda.

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