Segundo a imprensa iraniana, Mojtaba Khamenei foi eleito neste domingo (8) com 90% dos votos durante uma reunião secreta dos membros da Assembleia, formada por 88 religiosos do clero xiita, que governa a República Islâmica, na cidade sagrada de Qom.
O nome dele já vinha sendo especulado pela comunidade internacional, chegando a ser mencionado nominalmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma entrevista ao site Axios.
Na última quarta-feira (4), Israel já havia advertido que qualquer novo líder supremo seria "um alvo". Já Trump, que classificou Mojtaba como "peso pena", declarou no domingo que o novo chefe da República Islâmica "não vai durar muito" sem a aprovação dos EUA.
Vínculos com a Guarda Revolucionária
Segundo filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, jamais ocupou qualquer função oficial dentro do regime, mas é considerado uma das personalidades mais influentes do Irã, célebre por seus vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o braço ideológico das Forças Armadas do país.
Ele era considerado um possível sucessor de Ali Khamenei, após anos cultivando laços estreitos com a IRGC e consolidando sua influência dentro do clero iraniano. Seu nome circulou ainda mais frequentemente após a morte de outro potencial candidato, o ex-presidente Ebrahim Raisi, que faleceu em um acidente de helicóptero em 2024.
Inflexível e bem visto pela IRGC, Mojtaba, de posição intermediária, que se apresenta como o "guardião" do pensamento de seu pai, sempre se opôs àqueles que defendem o diálogo com o Ocidente como parte dos esforços para conter as ambições nucleares do Irã.
"Ele goza de forte apoio dentro da Guarda Revolucionária Islâmica, particularmente entre as gerações mais jovens e radicalizadas", afirma Kasra Aarabi, especialista em IRGC da organização United Against Nuclear Iran, sediada nos EUA.
Para seus críticos dentro do regime, Mojtaba Khamenei não possui as qualificações religiosas necessárias para se tornar Líder Supremo. Sua nomeação também contrariaria o desejo dos fundadores da República Islâmica de romper com a tradição dinástica da monarquia do Xá.
Alvo de sanções dos EUA
Nascido em 1969 em Mashhad, Mojtaba Khamenei testemunhou a mobilização de seu pai ao lado do aiatolá Ruhollah Khomeini contra o regime do Xá durante sua infância. Mojtaba lutou na Guerra Irã-Iraque (1980-88) e estudou religião em seminários em Qom, o epicentro da teologia xiita.
Ele detém o título de Hojatoleslam, inferior ao de aiatolá na hierarquia religiosa xiita, e usa o turbante preto de um Sayyid, descendente direto do Profeta Maomé. Ele nunca ocupou um cargo oficial no governo da República Islâmica. Ele foi visto em comícios a favor do regime, mas raramente se pronunciou em público — especialmente após a morte de seu pai..
Desde 2019, Mojtaba Khamenei está sujeito a sanções do Departamento do Tesouro dos EUA . Na época, o órgão determinou que ele representava oficialmente o Líder Supremo, embora nunca tenha sido eleito ou nomeado para um cargo governamental, além de seu trabalho no gabinete de seu pai.
O Departamento do Tesouro dos EUA afirmou ainda que Mojtaba Khamenei recebeu certas prerrogativas de seu pai. O órgão alega ainda que ele mantém laços estreitos com o comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica, responsável por operações externas, e com a Basij, uma milícia religiosa afiliada à IRGC, "para promover os objetivos regionais de desestabilização e os objetivos domésticos de opressão de seu pai".
Influência política
No início do ano, o site norte-americano Bloomberg revelou, em uma investigação, que Mojtaba Khamenei chefia um império financeiro, "que abrange transporte marítimo no Golfo Pérsico, contas bancárias suíças, imóveis de luxo no Reino Unido e um importante serviço de inteligência ocidental".
O filho de Ali Khamenei é frequentemente considerado a força motriz por trás da ascensão meteórica do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, eleito em 2005, cuja contestada reeleição quatro anos depois ele apoiou, apesar de uma onda de protestos.
Em 2022, ele foi um dos principais alvos dos manifestantes do movimento "Mulher, Vida, Liberdade", que protestavam contra a morte sob custódia da estudante Mahsa Amini, após sua prisão pela polícia da moralidade.
Sua esposa, filha de uma figura linha-dura, o ex-presidente do Parlamento Gholamali Haddadadel, foi morta em 28 de fevereiro em bombardeios israelenses-americanos, juntamente com outros membros de sua família.