Ex-ministro ucraniano da Defesa denuncia 'crise sistêmica de governança' e pede eleições

19 ago 2026 - 07h19
(atualizado às 07h47)
Mykhailo Fedorov, ex-ministro ucraniano da Defesa, faz pronunciamento a ucranianos, a partir de uma localidade não revelada, captura de vídeo divulgado em 18 de agosto de 2026.
Mykhailo Fedorov, ex-ministro ucraniano da Defesa, faz pronunciamento a ucranianos, a partir de uma localidade não revelada, captura de vídeo divulgado em 18 de agosto de 2026.
Foto: via REUTERS - MYKHAILO FEDOROV / RFI

Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI em Kiev, e agências

O ex-ministro ucraniano da Defesa, Mykhaïlo Fedorov, pediu na noite de terça-feira (18) a realização de eleições apesar da guerra, afirmando em um pronunciamento que a Ucrânia enfrentava uma "crise de governança".

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Desde o início das manifestações que pedem seu retorno ao cargo, Mykhailo Fedorov vinha adotando um tom conciliador, afirmando que o diálogo com Volodymyr Zelensky continuava. Pela primeira vez desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, uma importante personalidade política ucraniana pede a realização de eleições em meio à guerra.

"A democracia não pode ser mantida como refém pela Rússia", afirmou Fedorov. "Estamos lutando justamente porque queremos continuar sendo um Estado europeu livre. (...) Por isso, precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia restaurar plenamente seu processo democrático, mesmo em meio a uma guerra prolongada."

A questão é particularmente sensível porque a lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, atualmente impede a realização de eleições.

O próprio Fedorov reconhece as dificuldades que uma votação apresentaria: garantir o direito de voto dos militares, dos eleitores que vivem próximos à frente de batalha e dos milhões de ucranianos refugiados no exterior. São argumentos já apresentados por Volodymyr Zelensky para explicar a ausência de eleições presidenciais.

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"Mas complexidade não significa impossibilidade. A Ucrânia fez muitas vezes aquilo que o mundo considerava impossível. Também podemos encontrar uma solução para isso", afirmou o ex-ministro.

Uma "crise sistêmica de governança"

Mykhailo Fedorov, nomeado para o Ministério da Defesa em janeiro, aos 35 anos, para conduzir importantes reformas nas Forças Armadas, permaneceu apenas seis meses no comando da pasta. Agora, ele afirma que a Ucrânia atravessa uma "crise sistêmica de governança".

Em uma crítica pouco velada ao governo, Fedorov denuncia um sistema que "frequentemente segue suas próprias regras", que "se protege" e que "tem medo da mudança".

"As pessoas não podem viver indefinidamente em um Estado no qual não entendem por que determinadas decisões são tomadas", afirmou.

Agora, convencido de que não será reconduzido imediatamente ao Ministério da Defesa, Fedorov também denuncia a corrupção que, segundo ele, tentou combater durante sua passagem pela pasta. Recentemente, afirmou acreditar que sua reforma dos procedimentos de aquisição de equipamentos militares, envolvendo bilhões de dólares, contribuiu para sua demissão.

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"Em tempos de paz, o dinheiro roubado se traduz em uma estrada, um hospital ou uma escola em pior estado. Em tempos de guerra (...), cada centavo destinado à defesa deve ser utilizado para a defesa. Não deve servir a interesses privados, exercer influência política, apoiar projetos de terceiros ou preservar o poder de outras pessoas", disse.

Fedorov também defendeu uma Ucrânia livre de qualquer herança soviética, em um discurso que se aproxima de uma verdadeira declaração política.

"Nosso povo está preparado há muito tempo para um país diferente. É hora de nosso Estado estar à altura dele. E o governo existe para servir à Ucrânia, nunca a si próprio. Essa é a Ucrânia que precisamos construir", afirma.

A presidência ucraniana não reagiu imediatamente ao pronunciamento.

Ao afastar um ministro da Defesa considerado muito popular, Zelensky vê agora surgir um potencial rival que conta com o apoio de uma parcela da opinião pública. No mês passado, manifestações em apoio a Mykhailo Fedorov reuniram regularmente milhares de pessoas em Kiev. Resta saber se ele também conseguirá obter apoio dentro da classe política ucraniana.

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