Mais de 5,6 mil prédios residenciais estão sem energia elétrica, com temperaturas chegando a -14°C, anunciaram as autoridades ucranianas nesta terça-feira. "Após este ataque, 5.635 edifícios estão sem aquecimento", declarou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram. A vasta área residencial na margem leste do rio Dnipro também está sem água encanada, segundo ele.
"Quase metade de Kiev está sem eletricidade. A Rússia não mudou de rumo, que segue sendo destruir a Ucrânia", denunciou a vice-ministra das Relações Exteriores, Mariana Betsa.
Essas novas ofensivas ocorrem logo após o maior ataque russo à rede elétrica de Kiev desde o início da invasão da Ucrânia.
O bombardeio de 9 de janeiro já havia deixado cerca de 6 mil prédios sem aquecimento, ou quase metade da capital, e muitos moradores sem eletricidade por vários dias, em um momento em que a capital é atingida por uma onda de frio sem precedentes em vários anos.
Dear friends, partners and allies! Ukraine urgently needs energy infrastructure support. Russia wants to "freeze" Ukrainians. Please share the post of our Minister @andrii_sybiha . We need #WarmthForUkraine To save millions of Ukrainians 💙💛 #StopRussia #StandWithUkraine https://t.co/25dk1UTUiI
— Mariana Betsa (@Mariana_Betsa) January 19, 2026
Chernobyl reconectada à rede elétrica
A região norte da Ucrânia também foi alvo de ofensivas russas nas últimas horas, que chegaram a provocar uma pane momentânea na usina nuclear de Chernobyl, sem riscos graves à população.
Na tarde desta terça-feira, a usina foi reconectada à rede elétrica, anunciou seu diretor, Serhiy Tarakanov, após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter relatado a perda de toda a energia externa durante a manhã, em decorrência de ataques aéreos russos.
"Todas as instalações da usina nuclear de Chernobyl (...) são alimentadas pelo Sistema Elétrico Unificado da Ucrânia", disse Tarakanov em um comunicado, acrescentando que a situação atual não representa "nenhuma ameaça ao meio ambiente ou à população".
Ataque à infraestrutura energética
As autoridades ucranianas vinham alertando há vários dias sobre um novo ataque massivo à infraestrutura energética do país. Outras regiões também foram afetadas durante a noite, incluindo Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), segundo autoridades locais.
A empresa estatal Ukrenergo anunciou cortes emergenciais de energia para estabilizar o sistema. Na região de Rivne, mais de 10 mil residências ficaram sem eletricidade. Além disso, em Kiev, uma mulher ficou ferida e foi hospitalizada, afirmou o prefeito Vitali Klitschko.
Vários edifícios foram danificados, incluindo uma escola primária. Na região da capital, perto de Butcha, um homem de 50 anos morreu ferido e dois postos de gasolina foram atingidos, segundo o governador regional.
"A Rússia está atacando civis e infraestrutura civil. O inimigo está aterrorizando deliberadamente cidades e vilarejos ucranianos", declarou o governador Mykola Kalachnyk.
De acordo com as autoridades, a Rússia primeiro lançou drones de combate de longo alcance antes de disparar mísseis balísticos contra Kiev e regiões próximas. Explosões foram ouvidas repetidamente no centro da cidade durante um alerta de ataque aéreo que durou mais de seis horas.
"Alerta para líderes em Davos"
Os serviços municipais e de energia estão mobilizados para restabelecer o aquecimento, a água e a eletricidade, garantiu o prefeito de Kiev, especificando que quase 80% dos edifícios atualmente sem aquecimento já haviam sido afetados no ataque anterior. O serviço de metrô também foi interrompido.
Andriy Sybiga, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, por sua vez, afirmou que a recente ofensiva noturna russa à infraestrutura energética do país deveria ser um tema central de discussão entre os líderes reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos.
"O ataque bárbaro do presidente russo Vladimir Putin esta manhã é um alerta para os líderes mundiais reunidos em Davos: é urgente apoiar o povo ucraniano; não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura para a Ucrânia", disse Andriy Sybiga nas redes sociais.
RFI com AFP