Segundo a denúncia, apresentada juntamente com o grupo Euroconsumers, a FIFA estaria abusando de sua posição monopolista ao impor valores e condições que não existiriam em um mercado competitivo, ocultando informações relevantes para os consumidores e pressionando compradores com mecanismos que criam urgência artificial.
A iniciativa judicial aprofunda uma crise que já vinha ganhando força desde o fim de 2025, quando federações nacionais divulgaram listas internas com os valores reais dos ingressos enviados pela FIFA. A publicação desses dados revelou que bilhetes para partidas da fase de grupos custavam entre US$ 180 e US$ 700 (entre R$ 950 e R$ 3.695), muito acima dos US$ 60 (R$ 316) amplamente divulgados pela entidade. Já os ingressos para a final começavam em US$ 4.185 e chegavam a US$ 8.680, cifras que superam em até sete vezes as cobradas na edição anterior no Catar.
O contraste entre os preços efetivos e as promessas feitas durante a candidatura - quando os Estados Unidos asseguraram que disponibilizariam centenas de milhares de ingressos a partir de US$ 21 (cerca de R$ 110) - ampliou a percepção de que o Mundial de 2026 se distancia de seu caráter popular.
Torcedores passaram a acusar a FIFA de transformar o evento em um produto voltado a consumidores de alto poder aquisitivo, excluindo justamente aqueles que tradicionalmente compõem o núcleo mais engajado das arquibancadas.
"Traição" e "publicidade enganosa"
A própria FSE, agora responsável pela ação formal, já havia liderado protestos e críticas públicas, classificando os preços como extorsivos e denunciando o que chamou de traição monumental ao espírito da Copa do Mundo. A organização pediu que as vendas fossem suspensas até que a FIFA revisasse suas práticas e restabelecesse parâmetros mais transparentes e acessíveis. Várias federações nacionais confirmaram que torcedores que desejassem acompanhar suas seleções até o fim da competição poderiam gastar mais de US$ 7 mil apenas em ingressos, reforçando a dimensão do problema.
Outro tema que alimentou a indignação é a adoção inédita da precificação dinâmica, modelo que ajusta automaticamente os valores conforme a demanda. Segundo grupos de torcedores, a falta de clareza sobre os critérios que determinam a atratividade das partidas e as oscilações de preço tornam o processo imprevisível e favorecem aumentos abruptos. Críticos também afirmam que a escassez de ingressos anunciados como baratos sugere publicidade enganosa e dificulta o planejamento dos fãs, que entram muitas vezes no sistema sem saber ao certo quanto pagarão.
A ação apresentada hoje consolida a insatisfação que vinha se acumulando ao longo dos últimos meses e eleva o conflito para o campo institucional, colocando a FIFA sob escrutínio das autoridades europeias. Para os torcedores, o caso simboliza uma disputa mais ampla sobre o futuro da Copa do Mundo: se continuará sendo um evento global e acessível ou se caminhará para um modelo cada vez mais restrito e comercializado.
Com agências