Segurança europeia ganha destaque nas eleições da Dinamarca em meio à tensão no Oriente Médio

O tema entrou no centro do debate às vésperas das eleições marcadas para 24 de março, que vão definir o próximo primeiro-ministro do país. A discussão ocorre em meio à tensão no Oriente Médio e ao discurso do presidente francês Emmanuel Macron sobre dissuasão nuclear.

4 mar 2026 - 07h45

Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague

Após confirmar que vai participar de treinamentos e atividades do programa de dissuasão nuclear proposto por Emmanuel Macron na última segunda-feira (02), a primeira-ministra Mette Frederiksen, do partido social-democrata, deixou claro que não haverá instalação de armas nucleares em território dinamarquês e que a cooperação não substitui o compromisso do país com a OTAN.

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Também será avaliado se os caças F-35 poderão integrar a estrutura de dissuasão da Aliança. O acordo envolve apenas a Dinamarca, e não se estende aos territórios autônomos da Groenlândia e das Ilhas Faroé.

Nesta terça-feira (03), durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Mette Frederiksen falou sobre o assunto.

"A Dinamarca é historicamente favorável ao desarmamento nuclear, mas existem países que possuem armas nucleares. Por isso, o governo decidiu estreitar a cooperação estratégica", disse Mette Frederiksen.

Popularidade em alta

A decisão de Mette Frederiksen de antecipar as eleições que deveriam acontecer até junho deste ano, ocorre depois um período de tensão diplomática envolvendo a Groenlândia e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pesquisas recentes indicaram aumento na aprovação da primeira-ministra do partido de centro-esquerda Social-Democrata, o que pode ter influenciado o cálculo político.

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A campanha começou imediatamente após o anúncio. No mesmo dia foi realizado o primeiro debate entre os líderes dos principais partidos, organizado pelas duas maiores emissoras de televisão do país escandinavo.

Processo eleitoral dinamarquês

Atualmente, o país é governado por uma coalizão formada pelo partido de centro-esquerda Social-Democrata de Mette Frederiksen, pelo partido de centro-direita, Venstre, do atual Ministro da Defesa Troels Lund Poulsen e pelo partido de centro Moderados de Lars Løkke Rasmussen, que ocupa o cargo de Ministro das Relações Exteriores. Os três líderes concorrem ao cargo de primeiro-ministro.

No dia 24 de março serão escolhidos os 179 membros do Parlamento, incluindo dois representantes da Groenlândia e dois das Ilhas Faroé. O sistema eleitoral é baseado em votação em papel. Não há urnas eletrônicas. Os eleitores recebem em casa um cartão de votação enviado pelo correio.

Na Dinamarca 4,3 milhões de eleitores estão aptos a votar. Para participar, é preciso ser cidadão dinamarquês e ter pelo menos 18 anos.

Entre os principais temas da campanha estão segurança nacional, política externa, economia, custo de vida e imigração. Estrangeiros representam hoje cerca de 10% da população dinamarquesa, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística da Dinamarca.

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Taxação dos milionários

A proposta de imposto sobre a riqueza partiu do "bloco vermelho", como são chamados os partidos de esquerda no Parlamento. O bloco é liderado pelo partido Social-Democratas e prevê a reintrodução de uma taxação sobre grandes fortunas, abolida em 1997. O modelo apresentado estabelece uma alíquota de 0,5% sobre patrimônios líquidos superiores ao equivalente de 20 milhões de reais e pode atingir cerca de 22 mil pessoas.

Segundo estimativa divulgada por uma emissora de TV dinamarquesa, a família Kirk Kristiansen, controladora do grupo Lego, poderia pagar cerca de 1,2 bilhão de coroas por ano, aproximadamente 800 milhões de reais, caso o imposto seja aprovado.

A proposta encontra resistência do "bloco azul", como são chamados os partidos conservadores do país, como o partido de centro-direita Venstre (Partido Liberal) que integra o atual governo de coalizão.

"O Partido Liberal não participará de um governo que introduza um imposto sobre a riqueza" disse o líder do partido, Troels Lund Poulsen.

A Confederação da Indústria Dinamarquesa também se manifestou contrária à proposta de campanha do bloco vermelho, como são chamados os partidos de esquerda no Parlamento.

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"O imposto pode empobrecer todos os dinamarqueses e não se trata de uma medida que afete apenas os mais ricos" afirmou o diretor Confederação da Indústria Dinamarquesa da Morten Høyer.

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