Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, na Alemanha
O E6 foi apresentado de forma discreta, em 27 de janeiro de 2026, através de uma vídeo-conferência convocada pelo ministro alemão das finanças, Lars Klingbeil, com os seus homólogos destes outros cinco países. A repercussão até aqui é pequena, mas tem potencial para alavancar ou, ao contrário, rachar a União Europeia.
Isso porque o que a Alemanha está propondo é uma espécie de "União Europeia dentro da União Europeia", ou, como o próprio ministro alemão chamou, "uma Europa a duas velocidades". Enquanto as decisões do bloco atualmente envolvem consultar os 27 países membros, o E6 conseguiria tomar decisões mais rápidas sobre alguns assuntos, consultando apenas as seis maiores economias.
A ideia é acelerar a atuação europeia em quatro frentes econômicas e militares. São três propostas econômicas. Primeiro, criar a chamada União de Poupança e Investimento da União Europeia, o que garantiria mais financiamento para empresas e startups. Segundo, reforçar o papel internacional do euro. Embora este seja um termo genérico, sabe-se que uma das ideias é tornar a Europa menos dependente de meios de pagamento estrangeiros, com foco na soberania tecnológica.
O último tema econômico que deve ser acelerado pelo E6 é garantir a disponibilidade de matérias-primas e assegurar cadeias de abastecimento confiáveis. Em outras palavras, obter energia industrial barata, o que hoje é o principal entrave ao crescimento da Alemanha, mas também terras-raras, em um dos pontos que esse novo grupo econômico europeu pode cruzar o caminho do Brasil.
Impasse entre França e Alemanha
O quarto tema é sem dúvida é o mais urgente, dado o contexto da invasão russa à Ucránia. O documento de lançamento do E6 diz que a defesa deve ser, "firmemente consagrada como prioridade no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia". O bloco está desenvolvendo uma força de reação rápida de até 5.000 soldados, entre outras iniciativas.
Vale lembrar que a Alemanha já vem reforçando parcerias bilaterais de defesa, tendo assinado recentemente acordos com Itália e Polônia para desenvolvimento de armamento e exercícios militares conjuntos. Mas os desafios de integração em defesa não são poucos.
Só para citar um exemplo, o mega projeto Sistema Aéreo de Combate Futuro, que visava desenvolver um caça franco-alemão, está em um impasse há anos e, segundo a revista alemã Stern, a ideia teria sido sepultada por Friedrich Merz esta semana, porque as empresas Dassault e Airbus não conseguem chegar a um acordo econômico.
Potencial para críticas
Por enquanto não há nenhuma reação oficial, mas não é difícil prever que haverá críticas e alguma resistência entre os outros 21 países do bloco que ficarão de fora dessa iniciativa. Afinal, a ideia de um grupo decisório menor dentro do bloco vai contra todo o já tradicional discurso vindo de Bruxelas, de que a União Europeia precisa de mais e não menos integração.
O fato de a iniciativa ser liderada pela Alemanha também certamente despertará reações, já que também há uma crítica tradicional dentro do bloco de que a Alemanha seria invariavelmente a economia mais beneficiada pelo euro.