As ondas de calor intenso que atingem a França anualmente, com frequência e intensidade cada vez maiores, representam um grande desafio para o país. Atualmente, os franceses enfrental sua 51ª onda de calor desde 1947 - a segunda registrada neste verão de 2025 -, que já dura quase uma semana. Os termômetros bateram recordes em diversas regiões, chegando próximos aos 43°C na terça-feira (12), especialmente no sudoeste do país.
A previsão é de que a onda de calor continue, com um novo pico esperado para o fim de semana de 15 de agosto. A imprensa francesa, de forma unânime, tem dedicado espaço à discussão de alternativas e soluções, refletindo a crescente preocupação nacional com os impactos do aquecimento global e sua provável intensificação nos próximos anos.
As altas temperaturas obrigam as autoridades a repensar as políticas de urbanização e adaptar as cidades ao calor extremo, destaca a manchete de capa do Le Figaro nesta quarta-feira (13). Ampliar as áreas verdes e instalar sistemas de ar-condicionado nas casas são algumas das soluções possíveis, aponta o jornal conservador.
Embora a climatização seja uma das soluções mais imediatas para enfrentar o calor, especialistas alertam que o aparelho de ar-condicionado consome muita energia e contribui para o agravamento do aquecimento terrestre.
O jornal La Croix sugere alternativas mais ecológicas para a população francesa se refrescar, como o uso de lençóis úmidos nas janelas, ventiladores de teto e persianas para reduzir a temperatura interna nas residências. Em editorial, o diário afirma que essas soluções podem ajudar os 42% de franceses que sofrem com o calor dentro de casa e lembra que a transição ecológica na França também precisa ser social.
Dez dias de fornalha
A atual onda de calor ainda deve durar cerca de dez dias. As temperaturas devem cair ligeiramente nesta quarta-feira nas regiões sul e sudoeste do país, mas subir em outras áreas. Na Borgonha, são esperados picos de até 40°C, enquanto em Paris os termômetros devem marcar entre 35°C e 36°C. O fenômeno é excepcional, mas será menos intenso do que a onda de calor de 2003, que causou mais de 15 mil mortes, explica Patrick Galois, especialista do serviço de meteorologia francês, ao Le Monde. As altas temperaturas não devem atingir todo o território, e Paris não deve entrar em alerta vermelho, como há 22 anos.
Nesta quarta-feira, a vigilância máxima continua em cinco departamentos do sudoeste da França. Cerca de 70 departamentos estão em alerta laranja - o penúltimo nível da escala - e apenas um quarto do território, no noroeste do país, permanece relativamente poupado. Piscinas gratuitas, abrigos para pessoas em situação de rua, parques abertos à noite, salas climatizadas disponíveis para os mais vulneráveis e banhos no rio Sena: as autoridades francesas continuam implementando ações para aliviar os efeitos do calor sobre a população, descrevem os jornais.