Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis' e símbolo da luta do povo iraniano, morre aos 56 anos

A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos de "tristeza", informaram familiares nesta quinta-feira (4). A autora de "Persépolis" revolucionou o mundo das HQs ao publicar sua autobiografia em quadrinhos, em 2001, que se transformou em um enorme sucesso editorial, traduzido em vários idiomas e adaptado para o cinema em 2007.

4 jun 2026 - 10h51

Segundo o comunicado da família divulgado pela AFP, "Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após o falecimento de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida". Produtor, ator e roteirista, Mattias Ripa morreu em 8 de abril de 2025, aos 53 anos. Os dois se conheceram em Paris, em 1995.

A ilustradora, autora e cineasta Marjane Satrapi, crítica aberta do governo teocrático do Irã, chegou à França em 1994 e adquiriu a nacionalidade francesa em 2006.
A ilustradora, autora e cineasta Marjane Satrapi, crítica aberta do governo teocrático do Irã, chegou à França em 1994 e adquiriu a nacionalidade francesa em 2006.
Foto: © JOEL SAGET / AFP / RFI

Exilada na França desde 1994 e naturalizada francesa em 2006, Marjane Satrapi ficou mundialmente conhecida com a saga autobiográfica "Persépolis". Nas novelas gráficas, ela relatou sua infância no Irã sob o domínio dos aiatolás, a repressão sofrida pelo povo iraniano e seu doloroso exílio na Europa.

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O primeiro volume da saga foi premiado em 2001 no Festival de Quadrinhos de Angoulême. Na sequência, a autora publicou mais três volumes. A adaptação para o cinema, assinada pela própria Marjane Satrapi com co-direção de Vincent Paronnaud, veio em 2007. O filme conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes daquele ano.

"Mesmo sendo um filme universal, quero dedicá-lo a todos os iranianos", declarou na época Satrapi, que nos últimos anos continuou denunciando as ações da República Islâmica do Irã.

Recusa da Legião de Honra

Em 2005, a HQ "Frango com Ameixas", também ambientada no Irã, recebeu o prêmio de melhor álbum em Angoulême. Seis anos depois, Marjane Satrapi adaptou e co-dirigiu a história para o cinema, com elenco incluindo Mathieu Amalric, Edouard Baer e Maria de Medeiros.

Para os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, ela concebeu uma tapeçaria em formato de tríptico. A obra têxtil monumental tinha três metros de altura e nove metros de largura, com figuras esportivas coloridas posicionadas em frente à Torre Eiffel.

Oponente ferrenha das autoridades de Teerã, Marjane Satrapi recusou a Legião de Honra francesa em 2025. Com o gesto, ela denunciou "a atitude hipócrita da França em relação ao Irã", que então enfrentava uma nova onda de repressão.

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"Há algum tempo, tenho dificuldade em compreender a política da França em relação ao Irã", explicou no Instagram, lamentando que "jovens iranianos amantes da liberdade, dissidentes e artistas tenham seus vistos negados" por Paris.

"A recusa da Legião de Honra não é, de forma alguma, uma ação ou um pensamento contra a França. Pelo contrário, amo profundamente este país, que também é meu", acrescentou.

Morte do marido

A conta da ilustradora no Instagram refletia a dor causada pela perda do marido em 2025. A mensagem "perdi o amor da minha vida" estava reproduzida em várias publicações. Mattias Ripa, economista de formação nascido na Suécia, acompanhou todos os projetos de Marjane durante os 31 anos que viveram juntos.

No último mês de fevereiro, a artista comemorou a criação da "Fundação para o Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi", que visa apoiar estudantes estrangeiros em seus projetos de estudo de cinema em Paris.

"Uma artista imensa que transformou uma infância iraniana em uma fábula universal", reagiu o presidente francês após a morte de Marjane Satrapi. O presidente francês apresentou suas sinceras "condolências" à família e aos amigos da autora franco-iraniana.

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Em comunicado, o Palácio do Eliseu destacou que, em "Persépolis", sua obra mais famosa, a artista soube "com seu olhar de criança, sua ironia, sua ternura e seus conflitos internos, criar um mundo comovente no qual os leitores se identificaram".

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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