O acidente ocorreu quando um trem de passageiros com destino a Barcelona atingiu destroços de um muro de contenção que desabou sobre os trilhos perto de Gelida, a cerca de 40 quilômetros da capital catalã.
A Adif, empresa responsável pela gestão da rede ferroviária nacional, informou que o desabamento foi causado por uma tempestade e fortes chuvas que têm afetado grande parte da região.
Uma pessoa morreu e 37 foram atendidas pelos serviços de emergência, incluindo cinco com ferimentos graves, segundo a ministra do Interior do governo da Catalunha, Nuria Parlon.
A vítima, segundo a imprensa espanhola, era um operador de trem sevilhano de 28 anos que estava em treinamento com o maquinista. A maioria dos feridos viajava no vagão da frente, o mais danificado, disse Claudi Gallardo, oficial do Corpo de Bombeiros da Catalunha.
Pouco antes, um trem havia descarrilado entre Maçanet e Blanes, a cerca de 70 quilômetros ao norte de Barcelona, sem deixar vítimas.
Todo o serviço de trens da Catalunha foi suspenso nesta quarta-feira para averiguações de segurança. A medida afeta cerca de 400 mil usuários.
Série de acidentes
Esses dois acidentes ocorrem poucos dias depois do desastre de domingo em Adamuz, perto de Córdoba, na região da Andaluzia, no sul da Espanha, quando uma colisão envolvendo dois trens matou mais de 40 pessoas. O número de mortos ainda não foi finalizado. Trinta e sete pessoas, incluindo quatro crianças, permanecem hospitalizadas, nove delas em terapia intensiva.
As buscas por corpos presos nas ferragens dos trens continuam nesta quarta-feira. Ontem, o corpo de uma 42ª vítima foi encontrado, segundo as autoridades regionais da Andaluzia.
O ministro dos Transportes espanhol, Oscar Puente, sugeriu que o número final de mortos poderia chegar a 43 - o mesmo número de desaparecidos relatado. Mais de 120 pessoas ficaram feridas em diferentes graus.
Na terça-feira, primeiro de três dias de luto nacional, o Rei Felipe VI e a Rainha Letizia visitaram Adamuz para expressar suas condolências às famílias das vítimas e aos sobreviventes.
Após passarem uma hora no local do acidente, os monarcas dirigiram-se ao Hospital Reina Sofía, em Córdoba, onde alguns dos feridos estão sendo tratados.
Colisão frontal
O acidente aconteceu quando os três últimos vagões de um trem com destino a Madri, operado pela empresa Iryo - grupo privado no qual a estatal italiana Ferrovie dello Stato (Trenitalia) detém 51% - descarrilaram e invadiram a linha férrea adjacente. Um trem operado pela Renfe, a companhia ferroviária nacional espanhola, que viajava na direção oposta, rumo a Huelva (sul da Espanha), colidiu frontalmente com esses vagões.
Os dois trens de alta velocidade, que viajavam a mais de 200 km/h no momento da colisão, transportavam mais de 500 passageiros. Segundo a imprensa espanhola, a investigação está focada em uma ruptura nos trilhos com mais de 30 cm de comprimento no local do acidente.
Citando "técnicos" que tiveram acesso à investigação, o jornal El Mundo afirma que a ruptura nos trilhos foi resultado de "uma solda defeituosa ou uma solda que se deteriorou devido ao tráfego ferroviário ou às condições climáticas", considerando essa uma "causa mais do que provável" do descarrilamento de um dos dois trens que desencadeou a tragédia.
O ministro Oscar Puente, no entanto, indicou que ainda é muito cedo para saber se a quebra do trilho foi "a causa ou a consequência" do acidente. Essa é a única linha de investigação que os policiais seguem no momento, já que a velocidade do trem não está em questão e "o erro humano foi praticamente descartado", afirmou o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, na segunda-feira.
A Adif, gestora da rede ferroviária espanhola, anunciou que reduziria "temporariamente" a velocidade em um trecho da linha de alta velocidade entre Madri e Barcelona, informando à AFP que a decisão foi tomada após "maquinistas relatarem solavancos".
A colisão ocorreu em um trecho reto da linha, em uma seção recentemente reformada, embora três trens tivessem passado pelo mesmo local "20 minutos antes" sem que "ninguém relatasse a menor anomalia nos trilhos", declarou Puente na manhã de terça-feira.
Por sua vez, o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, descartou a possibilidade de sabotagem. "Nunca houve a menor evidência que sugerisse isso", afirmou ele em uma coletiva de imprensa.
Diante da comoção generalizada que a tragédia provocou em todo o país, o primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu "transparência absoluta" e "a verdade". Em 2013, outro descarrilamento fatal matou 80 pessoas perto de Santiago de Compostela, no noroeste do país.
RFI e AFP