Em protesto, agricultores acampam no principal porto francês para 'controlar' produtos do Mercosul

Cerca de cem agricultores montaram neste domingo (11) uma "barreira de controle" na entrada do porto de Le Havre (Seine-Maritime), no norte da França, para fiscalizar os caminhões que circulam no local. O movimento de protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul não dá sinais de enfraquecer na França e em outros países da Europa que se opuseram à assinatura do tratado.

11 jan 2026 - 10h57

Após a demonstração de força do coletivo Coordenação Rural na quinta-feira (8), em Paris, ocorreram manifestações na sexta-feira (9) na Polônia e na Itália, e no sábado (10) na Irlanda. Os agricultores protestam contra o acordo que promete criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores nos dois blocos.

Agricultores posicionam tratores nos arredores do porto de Le Havre, no norte francês. (11/01/2026)
Agricultores posicionam tratores nos arredores do porto de Le Havre, no norte francês. (11/01/2026)
Foto: AFP - LOU BENOIST / RFI

Em Le Havre, os agricultores estabeleceram um acampamento-base no sábado à noite na entrada do principal porto de contêineres da França para fiscalizar "o máximo possível de produtos alimentícios que entram e saem", explicou Justin Lemaître, secretário-geral da Juventude Agrícola de Seine-Maritime, um sindicato ligado à maior organização agrícola do país, a FNSEA. O objetivo dos ruralistas é bloquear alimentos que não atendam aos padrões sanitários e ambientais impostos aos produtores franceses e europeus.

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"Queremos estar no local esta noite, quando o tráfego se intensificará. Amanhã, segunda-feira (12), esperamos cerca de 5 mil caminhões por dia", disse ele, especificando que queria "filtrar, mas não bloquear o acesso ao porto de Le Havre, para não interromper completamente a atividade dos estivadores".

Acordo e crise sanitária na mira dos manifestantes 

Outras ações estão em andamento em diferentes partes da França, como em Savoie, onde cerca de 50 agricultores bloqueiam o depósito de azeite Albens, na localidade de Entrelacs, desde a noite de quinta-feira, informou a Confederação Rural. A entidade indicou que a polícia "ameaça nos despejar na manhã de segunda-feira".

Também foram instaladas barricadas em importantes rodovias, como a A63 em Bayonne e a A64 em Carbonne, ao sul de Toulouse, bloqueada desde 12 de dezembro pelos manifestantes. Além disso, a Coordenação Rural está preparando um protesto para a noite de domingo na rodovia A1, no norte da França, no pedágio de Fresnes-les-Montauban (Pas-de-Calais), confirmou um porta-voz.

A mobilização agrícola, iniciada há um mês contra a gestão de uma epidemia de dermatite nodular contagiosa no gado pelo governo, ganhou força com a aprovação, na sexta-feira, do acordo com o Mercosul. A maioria dos países europeus concordou com o texto, negociado há mais de 25 anos, que será assinado no próximo sábado (17), no Paraguai.

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Novos protestos no Parlamento 

A ratificação do tratado ainda depende de uma votação, que se espera ser apertada, no Parlamento Europeu, provavelmente em fevereiro ou março. Uma grande manifestação de agricultores está planejada em frente à sede do Parlamento, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.

Os produtores rurais argumentam que o tratado prejudicará a agricultura europeia com importações mais baratas da América Latina, que podem não atender aos padrões europeus devido à insuficiência de controles nos países latino-americanos.

Ao eliminar grande parte das tarifas de importação, o acordo impulsiona as vendas europeias de automóveis, máquinas, vinho, azeite e laticínios, e facilita a entrada de carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja na Europa.

Com informações da AFP

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