EUA suspendem sanções contra Irã; Trump adverte Teerã de que precisa cumprir acordo

23 jun 2026 - 08h11

Os Estados Unidos suspenderam as ‌sanções contra o Irã por 60 dias a partir de segunda-feira, após as primeiras negociações no âmbito de um acordo de paz em fase inicial, e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que "fará o que for preciso" caso o Irã não cumpra sua parte no acordo.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse que as negociações com autoridades iranianas na Suíça estabeleceram uma boa base para ⁠um acordo de paz definitivo, mas o Irã negou ter iniciado discussões sobre seu programa nuclear ou ‌concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a retornarem ao país.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou na terça-feira que as autoridades iranianas não haviam se reunido ‌com o chefe da AIEA, Rafael Grossi, na Suíça, e ‌não tinham planos de permitir que a agência nuclear da ONU inspecionasse as instalações nucleares ⁠danificadas do Irã.

Os dois lados, buscando dar continuidade ao acordo provisório assinado na semana passada após mais de três meses de guerra, chegaram a um acordo sobre um roteiro para um pacto permanente dentro de 60 dias nas negociações realizadas no resort de montanha suíço de Buergenstock, informaram os mediadores Paquistão e Catar.

Eles concordaram com um mecanismo para pôr fim aos combates entre Israel, aliado dos EUA, ‌e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, e abriram uma linha de comunicação para ajudar a ‌garantir a passagem segura de navios ⁠comerciais pelo Estreito de ⁠Ormuz, uma via navegável vital para o abastecimento global de petróleo que Teerã bloqueou durante a guerra.

Na primeira de ⁠várias etapas previstas no acordo para proporcionar alívio econômico ‌ao Irã, o Tesouro dos EUA ‌anunciou uma suspensão das sanções até 21 de agosto, permitindo que Teerã venda petróleo e produtos relacionados e receba pagamentos por eles.

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Ali Bahreini, embaixador do Irã junto às Nações Unidas em Genebra, afirmou que houve "bom progresso" nas negociações e que dois grupos de trabalho seriam criados ⁠nos próximos dias para se concentrar na remoção das sanções e nas atividades nucleares do Irã.

Ele disse aos repórteres que cinco partes do acordo inicial precisam ser totalmente implementadas antes do início das negociações sobre o dossiê nuclear e qualquer papel da AIEA.

O embaixador também afirmou que o Líbano é uma parte "inquestionável" do acordo provisório entre os EUA ‌e o Irã, e que este inclui a retirada das tropas israelenses do Líbano.

Autoridades relataram uma trégua sustentada nos combates no Líbano sob o acordo que visa pôr fim às hostilidades em toda ⁠a região, mesmo com Israel afirmando que manteria uma zona de segurança no sul do Líbano e continuaria a agir para "neutralizar" ameaças contra soldados e cidadãos israelenses.

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Israel e o Líbano devem iniciar uma nova rodada de negociações em Washington na terça-feira.

O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz começou a se intensificar na segunda-feira, com o ministro das Relações Exteriores de Omã afirmando o compromisso de seu país com o direito internacional e a passagem segura e isenta de taxas durante as negociações com o Irã sobre a administração do estreito.

Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques israelenses no Líbano mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões. A guerra com o Irã também abalou os mercados financeiros em todo o mundo e elevou os preços globais do petróleo, que caíram desde que o acordo provisório foi alcançado. Os preços do petróleo caíram ainda mais na terça-feira, após fecharem com queda de 3% na segunda-feira.

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