EUA e Irã preveem suspensão de ataques e negociam controle de Ormuz; Israel mantém ofensiva no Líbano

Representantes do Irã e de Omã se reuniram pela primeira vez nesta segunda-feira (29), desde a assinatura do acordo entre Teerã e Washington, para discutir o controle do Estreito de Ormuz, segundo o Ministério iraniano das Relações Exteriores. Neste domingo (28), os Estados Unidos anunciaram que os ataques com o Irã seriam suspensos e as negociações retomadas.

29 jun 2026 - 06h43
(atualizado às 06h49)

"Está previsto que as discussões técnicas continuem sobre todos os pontos do protocolo de acordo. As duas partes vão interromper seus ataques por enquanto, e os navios podem circular livremente" no Estreito de Ormuz e arredores, segundo um responsável americano próximo das negociações.

O Irã desaprovou o anúncio de Omã sobre a abertura de uma via de navegação alternativa temporária, apresentada como uma iniciativa coordenada com a ONU para retirar marinheiros e navios bloqueados. A passagem foi utilizada por dezenas de embarcações nesta semana.

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Desde quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida. Os ataques foram atribuídos a Teerã pelo Exército dos EUA, que respondeu por dois dias consecutivos com bombardeios ao Irã. O regime iraniano reagiu lançando mísseis e drones contra seus vizinhos do Golfo, incluindo o Kuwait e o Bahrein.

O Irã não descarta a imposição de "taxas", inexistentes antes da guerra, apesar da oposição dos Estados Unidos. Para o governo americano, o estreito é uma "via navegável internacional", embora esteja às margens da costa iraniana e do sultanato de Omã.

De acordo com o sultanato, nenhuma "taxa de passagem" estava prevista nos futuros acordos. O governo de Omã menciona a criação de um "corredor marítimo temporário", apresentado como uma iniciativa coordenada com a ONU. Negociações devem ocorrer na terça-feira, no Catar, com o objetivo de superar divergências sobre a rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo.

Embora Irã e Omã reivindiquem soberania sobre o estreito, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), adotada em 1982, garante o direito de "passagem em trânsito" nos estreitos utilizados pela navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para conectar o Golfo ao resto do mundo.

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O texto, que não foi ratificado por Teerã, estabelece que "todos os navios e aeronaves" cujo objetivo seja o trânsito contínuo e rápido pelo estreito têm liberdade de navegação sem entraves. Ele foi reaberto na semana passada, após ter sido parcialmente bloqueado pelo Irã no início da guerra em fevereiro. A medida desestabilizou o comércio mundial de hidrocarbonetos e fez disparar os preços do petróleo.

Após a conclusão do memorando entre o país e os EUA em 17 de junho, Teerã autorizou apenas a passagem por um único corredor ao longo de sua costa e ameaça atacar navios que desrespeitem essa regra. "Nenhuma outra instituição ou país", além do Irã, é "responsável" pela gestão do estreito, afirmou no domingo o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi. "Qualquer ingerência", disse, levará a atrasos em sua reabertura e aumentará as tensões.

Chanceler de Omã, Sayyid Badr Albusaidi participa de reunião do Conselho de Cooperação do Golfo, no Bahrein; bloco discute temas de segurança regional.
Chanceler de Omã, Sayyid Badr Albusaidi participa de reunião do Conselho de Cooperação do Golfo, no Bahrein; bloco discute temas de segurança regional.
Foto: RFI

Ataques israelenses no Líbano

No Líbano, que Teerã havia exigido incluir no protocolo de acordo com os Estados Unidos, Israel continuou seus ataques no domingo, apesar também da assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo para obter a "paz duradoura".

Em um comunicado conjunto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciaram que o exército destruiu um longo e profundo túnel do Hezbollah no sul do Líbano.

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A Agência Nacional de Informação libanesa (ANI, oficial) relatou bombardeios, enquanto o Ministério da Saúde informou dois feridos após o lançamento de uma granada pelo "inimigo israelense" contra uma localidade no sul do país.

O presidente do Parlamento libanês, aliado ao Hezbollah pró-Irã, Nabih Berri, afirmou no domingo que o acordo com Israel "não será adotado" no formato atual. O movimento xiita, que também rejeita esse acordo, declarou que se reserva o direito de "defender sua pátria" após os recentes ataques israelenses.

O acordo condiciona a retirada de Israel do Líbano, onde suas tropas ocupam uma área no sul, ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência de longa data que Beirute tem dificuldade em implementar. O país foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva americano-israelense contra Teerã.

Com AFP e Reuters

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