O enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, anunciou nesta quarta-feira a criação de um órgão tecnocrático palestino que desempenhará um papel na administração do território devastado pela guerra, de acordo com um plano em fases dos Estados Unidos para o futuro de Gaza.
"Hoje, em nome do presidente Trump, estamos anunciando o lançamento da fase dois do plano de 20 pontos do presidente para acabar com o conflito de Gaza, passando do cessar-fogo para a desmilitarização, governança tecnocrática e reconstrução", disse Witkoff em um post no X.
Ainda não está claro como o Hamas, que se reagrupou desde o início de um frágil cessar-fogo em outubro, será desarmado, conforme exigido pelo plano.
Israel e o Hamas assinaram em outubro o plano de Trump, segundo o qual o órgão tecnocrático será supervisionado pelo "Conselho de Paz" internacional que deve governar Gaza por um período de transição.
O órgão palestino de 15 membros lançado nesta quarta-feira será chefiado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, responsável pelo desenvolvimento de zonas industriais, de acordo com uma declaração conjunta dos países mediadores Egito, Catar e Turquia.
Outros membros escolhidos por Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio que deverá representar o Conselho de Paz no local, incluem pessoas do setor privado e ONGs, de acordo com uma lista de nomes obtida pela Reuters.
Witkoff não especificou quantos membros o órgão teria, nem os nomeou.
Outro anúncio relacionado ao Conselho da Paz também deverá ser feito em Davos na próxima semana, disse um diplomata europeu.
DESMILITARIZAÇÃO
Além da criação do órgão palestino, conhecido como Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), Witkoff disse em seu post que a fase dois do plano de Trump "inicia a desmilitarização e reconstrução total de Gaza, principalmente o desarmamento de todo o pessoal não autorizado".
"Os EUA esperam que o Hamas cumpra integralmente suas obrigações, incluindo o retorno imediato do último refém morto. Se isso não for feito, haverá sérias consequências", acrescentou Witkoff.
O Hamas, que até agora não concordou em depor suas armas, consentiu em outubro em entregar a governança a um comitê tecnocrático.
Já havia dito anteriormente, no entanto, que outros assuntos, incluindo o futuro de Gaza e os direitos palestinos, deveriam ser tratados dentro de "uma estrutura nacional palestina inclusiva, da qual seremos parte integrante e para a qual contribuiremos com total responsabilidade".
Na Cisjordânia, a Autoridade Palestina saudou o esforço de Trump para avançar com o plano de fases de Gaza, em uma declaração publicada no X pelo vice-presidente palestino Hussein Al-Sheikh, e expressou apoio ao comitê.
A primeira fase do plano de Trump, que incluía um acordo de cessar-fogo e libertação de reféns, foi abalada por questões como os ataques aéreos israelenses em Gaza, que mataram centenas de pessoas, a recusa do Hamas em se desarmar, os restos mortais de um último refém israelense ainda não devolvidos e atrasos israelenses na reabertura da passagem de fronteira de Rafah, em Gaza, com o Egito.
Embora os dois lados se acusem mutuamente de violar o acordo, Trump afirma querer passar para a segunda fase, progressão que implicaria o estabelecimento do Conselho de Paz e um destacamento ainda a ser acordado de forças de manutenção da paz.
Os líderes do Hamas e outras facções palestinas estão no Cairo para conversas sobre a segunda fase, segundo o grupo, onde membros do comitê tecnocrático palestino devem se reunir com Mladenov.
Fontes egípcias disseram que as conversas com o Hamas devem agora se concentrar no desarmamento do grupo.