EUA anunciam acordo para controle permanente da Groenlândia; Dinamarca vê avanço para UE e Otan

O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, declarou, neste sábado (19), que um acordo "vinculante" com os Estados Unidos sobre a segurança da Groenlândia "reforçará a segurança" no Ártico. O presidente americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira ter obtido da Dinamarca e da Groenlândia o "controle permanente" da segurança do território. Segundo Washington, a decisão impedirá que adversários dos EUA, especialmente China e Rússia, se instalem na região.

19 set 2026 - 04h42
(atualizado às 08h18)
Resumo
Os Estados Unidos anunciaram um acordo de duração indefinida que lhes confere o controle sobre a segurança da Groenlândia, com o objetivo de conter a influência de Rússia e China e expandir sua presença militar no Ártico. Celebrado por Washington, Copenhague e Nuuk, o pacto preserva formalmente a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação da ilha, encerrando tensões diplomáticas e sendo considerado positivo para a segurança comum da Europa e da Otan.

A Dinamarca classificou o entendimento como "bom para a Otan e para a Europa", destacando que ele preserva a soberania do território autônomo dinamarquês. Conforme Copenhague, o documento deverá ser assinado na próxima semana, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.

"A próxima semana poderá ser uma boa semana (...) para a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos. Esperamos que um longo período de incerteza dê lugar a um acordo vinculante que reforçará a segurança no Ártico e no Atlântico Norte e, consequentemente, também a nossa segurança comum no âmbito da Otan e na Europa", declarou Rasmussen, em uma mensagem publicada nas redes sociais.

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Anunciado por Trump em uma longa publicação na rede Truth Social, o acordo "confere aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança, bem como sobre todas as outras necessidades, da Groenlândia".

A medida busca impedir que qualquer "adversário" de Washington estabeleça presença militar na ilha ou realize investimentos considerados sensíveis sem o consentimento americano.

Posteriormente, o Departamento de Estado esclareceu que a iniciativa tem como foco conter a influência da China e da Rússia.

"Este acordo garante que a China e a Rússia não possam ter uma base na Groenlândia nem enviar tropas para lá, além de criar mecanismos para impedir investimentos em setores sensíveis", afirmou uma autoridade da diplomacia americana sob condição de anonimato.

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A Groenlândia ocupa uma posição estratégica por estar localizada na rota mais curta entre Rússia e Estados Unidos. O território abriga reservas inexploradas de terras raras e poderá ganhar importância à medida que o derretimento do gelo polar abrir novas rotas marítimas.

Presença militar

Trump também anunciou na sexta-feira que os Estados Unidos irão "iniciar imediatamente o processo de desenvolvimento de uma presença militar significativa" na região.

Segundo a imprensa americana, Washington pretende abrir três novas bases militares no sul da Groenlândia, além de manter a base de Pituffik, no norte do território. A instalação é considerada um elo fundamental do sistema de defesa antimísseis americano.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo "atende a todas as nossas preocupações de segurança nacional em relação à Groenlândia".

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De "duração indefinida", o entendimento não terá "nenhum custo" para Washington, garantiu o presidente republicano, que o descreveu como um "sonho realizado".

O texto "reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino (da Dinamarca) e o direito do povo groenlandês à autodeterminação", declarou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

O chefe de governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também celebrou o a decisão, afirmando que ela "garante" a segurança da ilha e "reconhece (seus) interesses".

Segundo uma autoridade do Departamento de Estado, o acordo seguirá em vigor "mesmo que a Groenlândia se torne um país totalmente independente".

Um tratado de defesa firmado em 1951 e atualizado em 2004 já concedia ampla liberdade às forças armadas americanas para instalar bases na Groenlândia, desde que as autoridades locais fossem notificadas. Em determinado momento, Washington chegou a manter 17 instalações militares no território.

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Região cobiçada

A situação desse vasto território autônomo dinamarquês, localizado em uma região ártica de crescente interesse estratégico, tornou-se um tema diplomático sensível desde que Trump passou a manifestar interesse pela área.

As intenções do presidente republicano abalaram os europeus, que se viram repentinamente pressionados por uma potência na qual sempre confiaram para sua proteção militar. Em março de 2025, o vice-presidente americano JD Vance visitou a Groenlândia, em uma viagem interpretada por Nuuk e Copenhague como uma provocação.

No auge da crise, Trump chegou a mencionar a possibilidade de "usar a força" para assumir o controle do território de 57 mil habitantes, provocando preocupação na União Europeia e na OTAN.

A tensão começou a diminuir com a criação de um grupo de trabalho formado por Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos, responsável por elaborar o acordo anunciado na sexta-feira.

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Com AFP

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