Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee após receber duas doses de pentobarbital. A condenada, que seria a primeira mulher executada no estado em mais de 200 anos, recobrou a consciência confusa e com graves queimaduras e inchaço nos braços, perdendo os movimentos dos membros. O caso, inédito por sua sobrevivência após doses letais, levou a Justiça a ordenar a preservação de provas e reacendeu debates contra punições cruéis nos EUA.
A americana Christa Pike, de 50 anos, que sobreviveu a duas doses de pentobarbital, estava "irritada e confusa" nas horas seguintes após recuperar a consciência depois da tentativa fracassada de execução no Tennessee, perguntando primeiramente "onde estou?" e quem eram as pessoas ao seu redor, disse seu advogado nesta quarta-feira, 7.
O advogado dela, Randy Spivey, acrescentou que Pike está "muito consciente" do que aconteceu com ela. "Ela não consegue mover nenhum dos braços. Ambos os braços e as mãos estão extremamente inchados, e não sabemos quais funções, se alguma, serão recuperadas", afirmou. "Há um longo caminho pela frente" para a recuperação, acrescentou.
Outro advogado de Pike, Luke Ihnen, afirmou que a equipe médica pediu que as algemas fossem removidas, mas que o pedido teria sido negado.
Pike sobreviveu à aplicação de duas doses de pentobarbital previstas no protocolo de injeção letal do estado do Tennessee, onde nenhuma mulher havia sido executada em mais de 200 anos.
A defesa já havia contestado anteriormente o protocolo de execução por via intravenosa, argumentando que ele poderia causar sofrimento desnecessário devido às veias finas da condenada e a um distúrbio sanguíneo do qual ela sofre.
Um documento apresentado à Justiça descreveu o pentobarbital como uma substância cáustica capaz de provocar queimaduras na pele, nos tecidos e nas veias. Segundo o texto, ao chegar ao hospital, os dois braços de Pike estavam "inchados, queimados e cobertos de bolhas".
Agora, um juiz dos EUA determinou que o estado do Tennessee preserve todas as provas relacionadas à tentativa fracassada de executar Pike.
Condenada à morte pelo assassinato da colega de classe Colleen Slemmer em 1995, Pike recebeu a sentença aos 18 anos, tornando-se uma das mulheres mais jovens dos EUA a entrar para o corredor da morte.
Primeira pessoa a sobreviver
Opositores da pena de morte afirmaram que o caso expôs a brutalidade inerente às execuções e evidenciou as dificuldades de realizar execuções por injeção letal respeitando as proibições constitucionais contra punições cruéis e incomuns.
A tentativa de execução começou por volta das 19h30 (horário local) de 30 de setembro. Cerca de cinco minutos depois, Pike levantou a cabeça e disse que seu braço "parece que vai explodir". Durante boa parte do procedimento, ela foi ouvida arfando, chorando, gemendo e respirando alto.
Em determinado momento, ela pareceu perder a consciência, mas continuou respirando de forma audível até que os jornalistas foram retirados da sala de observação às 20h53. Uma ambulância chegou à prisão às 21h14 para levá-la ao hospital.
O caso havia atraído grande atenção porque Pike seria a primeira mulher executada pelo estado do Tennessee em mais de 200 anos. Nos Estados Unidos, 18 mulheres foram executadas desde 1976, segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte.
A organização, que publica dados e análises sobre a pena capital nos Estados Unidos, afirmou que Pike foi a primeira pessoa condenada à morte a sobreviver após receber doses letais dos medicamentos utilizados em execuções. *(Com AP, Reuters, AFP)
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