Christa Pike, de 50 anos, condenada à morte nos Estados Unidos, voltou a caminhar com auxílio após sobreviver a uma tentativa de execução no Tennessee, mas seus advogados temem que ela tenha sofrido danos cognitivos permanentes. Segundo um comunicado divulgado pela defesa na quinta-feira (8), Pike apresenta dificuldades de memória e concentração, e os médicos estimam que pode levar meses para determinar a gravidade das possíveis sequelas.
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A recuperação física da detenta tem sido considerada significativa. Ela já consegue caminhar com ajuda pelo quarto do hospital, alimentar-se normalmente e respirar sem apresentar problemas pulmonares, de acordo com seus advogados. Apesar da evolução, ainda enfrenta dificuldades para manter o raciocínio durante as conversas.
“Não temos certeza de quais serão os efeitos a longo prazo, mas está claro que, do ponto de vista cognitivo, ela ainda não voltou exatamente ao normal e pode ter um longo caminho pela frente”, afirmou o advogado Stephen Ferrell à ABC News.
Segundo Ferrell, Pike tem dificuldade de concluir pensamentos e, por vezes, perde o rumo da conversa. A defesa também relatou dores provocadas por queimaduras nos braços.
O advogado afirmou ainda que houve danos significativos aos tecidos ao redor dos locais de aplicação das injeções. Ainda não há, porém, uma previsão de quanto tempo as lesões levarão para cicatrizar.
Detenta sobreviveu à tentativa de execução em setembro
A tentativa de execução de Pike ocorreu em 30 de setembro, quando o estado do Tennessee tentou aplicar pentobarbital, substância utilizada em protocolos de execução por injeção letal. Segundo as informações divulgadas pela defesa, ela sobreviveu a duas doses letais do medicamento.
Pike permaneceu inconsciente e conectada a um respirador por vários dias. Em 6 de outubro, despertou inesperadamente. Um dia antes, o advogado Randy Spivey havia afirmado, durante uma entrevista coletiva, que recebeu a informação de que sua cliente tinha morte cerebral e seria retirada do suporte à vida.
Spivey disse acreditar que as primeiras palavras de Pike após despertar foram: “Onde estou e quem é você?”.
Mãe da vítima contesta demonstração de remorso
Durante a recuperação, Pike também teria demonstrado preocupação com a família de Colleen Slemmer, jovem de 19 anos que foi brutalmente assassinada em 1995 pela condenada.
Ferrell afirmou que sua cliente tem pensado no sofrimento dos familiares da vítima diante do ocorrido. Em comunicado, a defesa declarou que Pike continua demonstrando preocupação com outras pessoas, especialmente com a família de Slemmer.
May Martinez, mãe da jovem assassinada, entretanto, contesta essa avaliação. Em entrevista anterior à revista PEOPLE, ela afirmou que Pike nunca pediu desculpas pelo assassinato de sua filha. Antes de receber as injeções, Pike também não manifestou nenhuma palavra ou pedido de desculpas à família de Colleen.
Após a tentativa malsucedida de execução, Martinez também declarou não entender como tantos problemas puderam ocorrer durante o procedimento. Ela continua desejando que a condenação à morte seja cumprida.
“Ela não sente remorso. Nunca sentiu remorso em 31 anos”, afirmou Martinez.
Em 1995, Pike e Tadaryl Shipp atraíram Colleen Slemmer para uma área arborizada, onde a torturaram por quase uma hora. A jovem foi esfaqueada e morreu após Pike esmagar seu crânio. O crime teria sido motivado por ciúmes: Pike acreditava que Colleen estava interessada em Shipp, seu namorado na época, Tadaryl.
Governador suspende execuções no Tennessee
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu as execuções previstas e determinou uma investigação independente sobre a tentativa malsucedida. Um juiz também ordenou que o estado preserve as provas relacionadas ao procedimento.
Enquanto a investigação avança, a defesa de Pike aguarda novas avaliações médicas para determinar a extensão das lesões e verificar se as dificuldades cognitivas apresentadas pela detenta resultarão em danos permanentes.