Especialista da ONU alerta que restrições do Talibã colocam em risco saúde de mulheres afegãs

27 fev 2026 - 14h59

As restrições impostas pelo Talibã estão ‌colocando em risco a vida de mulheres e seus filhos, que às vezes têm o atendimento de emergência negado, afirmou nesta sexta-feira um especialista em direitos humanos da ONU.

O relator especial para o Afeganistão, Richard Bennett, declarou em coletiva de imprensa que as normas exigem que mulheres doentes ⁠ou feridas sigam um código de vestimenta, sejam acompanhadas por um responsável ‌masculino e sejam atendidas por médicos do sexo masculino.

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Bennett afirmou que as mulheres frequentemente tinham o acesso aos serviços de ambulância negado caso ‌não estivessem acompanhadas por um responsável masculino.

Em um ‌dos casos descritos em relatório apresentado ao Conselho de Direitos ⁠Humanos da ONU esta semana, uma mulher foi deixada para dar à luz sozinha no portão do hospital, pois estava desacompanhada. Outra mulher perdeu seu filho de quatro anos porque não pôde acompanhá-lo sozinha até o hospital.

"As restrições impostas pelos talibãs devem ser revertidas, caso contrário eles continuarão ‌matando pessoas", disse Bennett em uma coletiva de imprensa em Genebra.

"Essas políticas não ‌são medidas isoladas. Elas ⁠formam um sistema ⁠institucionalizado de discriminação de gênero que nega às mulheres e meninas autonomia sobre seus ⁠próprios corpos, saúde e futuro", acrescentou.

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MENOS ‌MÉDICAS SOB O REGIME DO ‌TALIBÃ

Bennett disse que compartilhou seu relatório com as autoridades talibãs e solicitou contribuições, mas não recebeu resposta. O Talibã afirma respeitar os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica.

Desde ⁠que retomou o poder, em 2021, o Talibã restringiu a circulação de mulheres e proibiu o acesso de meninas à educação além do ensino fundamental, por meio de uma série de leis morais que também limitam a liberdade de expressão e o ‌emprego.

Até o ano passado, cerca de um quarto dos profissionais de saúde do Afeganistão eram mulheres. Mas a proibição de sua formação médica ⁠interrompeu o fluxo de profissionais, o que significa que haverá menos mulheres disponíveis no futuro para tratar pacientes do sexo feminino, de acordo com as políticas de segregação por gênero, disse Bennett.

"É uma política completamente injustificável. Ela coloca todo o sistema de saúde em risco e, a menos que seja revertida, levará a sofrimento, doenças e mortes desnecessárias", disse.

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Suraya Dalil, ex-ministra da Saúde do Afeganistão, afirmou na mesma coletiva de imprensa que estava particularmente preocupada com o crescente número de mortes durante o parto.

"Infelizmente, esperamos uma maior mortalidade -- mortalidade materna e mortalidade infantil -- nos próximos anos devido ao fato de a força de trabalho na área da saúde estar sistematicamente limitada", afirmou.

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