Espanha dá ultimato para Itália revogar controles de fronteira

Governo Sánchez ameaçou adotar respostas 'proporcionais' após 9/8

7 ago 2026 - 08h42
(atualizado às 09h00)

O governo da Espanha deu nesta sexta-feira (7) um ultimato para a Itália revogar os controles de fronteira introduzidos após a crise migratória em Ceuta, exclave do país ibérico no norte da África, e prometeu adotar respostas "proporcionais" caso a medida não seja levantada até o próximo domingo (9).

Meloni e Sánchez durante encontro em Roma, em abril de 2023
Meloni e Sánchez durante encontro em Roma, em abril de 2023
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O posicionamento chega três dias após uma reunião de ministros do Interior da União Europeia, que expressou solidariedade unânime a Madri por conta da emergência da semana passada.

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"Instamos o governo italiano a retificar esta situação, a pôr fim aos controles e a tratar os espanhóis como os outros cidadãos europeus", diz um comunicado do Executivo liderado pelo premiê de centro-esquerda Pedro Sánchez.

"Caso isso não aconteça até o fim do domingo, 9 de agosto, a Espanha será obrigada a tomar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos", acrescenta a nota.

Os controles de passaporte foram reintroduzidos pela Itália em 1º de agosto, na esteira da entrada em massa de 72 mil migrantes provenientes do Marrocos em Ceuta. Como os dois países europeus não fazem fronteira terrestre, a medida vale apenas para viagens aéreas e marítimas.

O governo da premiê de direita Giorgia Meloni temia que os deslocados internacionais que entraram em Ceuta chegassem até o território italiano, embora o exclave espanhol não faça parte do Acordo de Schengen, que regulamenta e livre circulação de pessoas na União Europeia.

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Segundo o comunicado da Espanha, trata-se de uma medida "sem precedentes na história recente, adotada sem aviso prévio, de forma unilateral e com argumentos espúrios que não estão em conformidade com a verdade".

"Nenhum dos migrantes que entraram irregularmente em Ceuta na semana passada pôde nem pode entrar livremente no Espaço Schengen, pois a cidade autônoma de Ceuta possui um status especial, e quase todos eles já retornaram ao Marrocos", afirma a nota.

A gestão do premiê de centro-esquerda Pedro Sánchez ainda critica as políticas migratórias da Itália, definida como o Estado-membro da UE "que mais registrou entradas irregulares nos últimos anos, com cifras que chegam a duplicar as da Espanha".

"Apesar disso, a Espanha nunca introduziu controles para a Itália. De fato, sempre se mostrou solidária com ela, acolhendo parte dos migrantes que chegaram em Lampedusa em 2023 e abrindo seus portos de forma recorrente para migrantes resgatados na rota do Mediterrâneo Central [que separa o norte da África do sul da Itália]", acrescenta o comunicado.

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A Itália foi o país da UE mais crítico à Espanha após a crise migratória em Ceuta e também aproveitou o episódio para questionar as políticas de Sánchez, sobretudo o projeto de regularização de 500 mil imigrantes no país.

"A Espanha decidiu regularizar meio milhão de imigrantes, e quase 1 milhão de pessoas se candidataram. Na nossa opinião, essa política incentiva a imigração irregular", afirmou o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, no último fim de semana.

Já o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, declarou na segunda-feira (3) que Roma não reagiu "à altura" da situação.

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