Espanha avalia com OMS receber navio afetado por hantavírus nas Ilhas Canárias

Até o momento, doença provocou a morte de 3 pessoas a bordo do cruzeiro

5 mai 2026 - 09h27
(atualizado às 10h02)

A Espanha avalia, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a possibilidade de receber nas Ilhas Canárias um navio de cruzeiro com casos suspeitos de hantavírus, atualmente ancorado próximo a Cabo Verde.

A medida tem como objetivo realizar análises epidemiológicas e da evolução do quadro sanitário a bordo da embarcação, onde o surto já provocou três mortos, além de outros dois casos confirmados e cinco suspeitos.

Publicidade

Inicialmente nesta terça-feira (5), a diretora de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, confirmou que a embarcação mv Hondius seguiria para o território espanhol, onde passaria por uma investigação epidemiológica completa, além de processos de desinfecção e avaliação de risco dos passageiros.

"Estamos trabalhando com as autoridades espanholas, que declararam que receberão o navio para realizar uma investigação epidemiológica completa, a desinfecção total da embarcação e, claro, avaliar o risco para os passageiros a bordo", afirmou.

No entanto, o governo espanhol demonstrou cautela quanto à decisão. O diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias, Fernando Simón, declarou que ainda não está confirmado que o navio seguirá para as Ilhas Canárias.

Em entrevista à Rádio Catalunya, ele explicou que o navio, que navega sob bandeira holandesa, pode ser direcionado diretamente ao seu porto de origem na Holanda.

Publicidade

"Essas decisões estão sendo tomadas neste momento; teremos uma reunião em breve", disse Simón, acrescentando que, caso o navio atraque na Espanha, não haverá passageiros doentes a bordo, já que aqueles com sintomas serão evacuados previamente por via aérea.

Simón ressaltou ainda que as Ilhas Canárias dispõem de uma unidade de alto nível para o tratamento de infecções de alto risco, capaz de operar com segurança sem comprometer profissionais de saúde ou a população local.

Em comunicado, o Ministério da Saúde da Espanha informou que monitora a situação em conjunto com a OMS e outros países e destacou que a definição sobre o porto de escala será baseada em dados epidemiológicos coletados enquanto o navio permanece próximo a Cabo Verde.

O governo espanhol também indicou que ainda não tomou uma decisão definitiva, contrariando as declarações anteriores da OMS. Entre as alternativas em análise está o envio da embarcação diretamente ao seu país de origem, dependendo da evolução dos casos a bordo.

Publicidade

Durante coletiva, a ministra da Inclusão da Espanha, Elma Saiz, pediu calma diante da situação e afirmou que autoridades espanholas e a OMS mantêm reuniões contínuas para garantir que todos os protocolos estejam preparados. As medidas incluem assistência médica, avaliação sanitária e eventual desinfecção do navio, caso seja autorizado o seu recebimento.

Paralelamente, a OMS investiga a possibilidade de transmissão do hantavírus entre passageiros. De acordo com Kerkhove, há indícios de contágio entre pessoas que tiveram contato próximo.

Ainda assim, a organização considera mais provável que os primeiros casos tenham ocorrido antes do embarque. O período de incubação do vírus, que varia de uma a seis semanas, reforça a hipótese de infecção prévia, possivelmente durante deslocamentos anteriores.

"Acreditamos que possa ter havido transmissão de pessoa para pessoa entre os contatos próximos", disse a especialista.

Por fim, Kerkhove avaliou que os casos iniciais podem estar ligados à viagem dos dois primeiros falecidos à América do Sul, com possível transmissão posterior dentro do navio ? cenário que ainda depende de confirmação pelas investigações em andamento.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se