Com informações de Claudia Bertram, da RFI.
Fontes citam um aumento significativo da atividade diplomática, com o Paquistão sendo um dos poucos governos a manter linhas abertas com ambos os lados do conflito, o que lhe dá estabilidade para ser mediador de possíveis conversas de paz. Além disso, o país tem uma fronteira de 990 km com o Irã.
Segundo Jean-Luc Racine, diretor emérito de pesquisa do CNRS, o país tem interesse direto na redução das tensões. Em entrevista à RFI ele afirma que o Paquistão "enfrenta dificuldades econômicas agravadas pelo impacto do fechamento do Estreito de Ormuz e anunciou, recentemente, medidas de austeridade".
No campo geopolítico, Racine destaca que um conflito aberto entre o Irã e a Arábia Saudita não seria vantajoso para Islamabad. "O Paquistão assinou há alguns meses um acordo de defesa com os sauditas, o que, em caso de guerra, poderia obrigá-lo a apoiar Riade", completa.
Ainda assim, assumir uma função de mediação fortalece a projeção diplomática do país, avalia o pesquisador.
Troca de mensagens, mas sem diálogo direto
Um funcionário europeu afirmou que Egito, Paquistão e países do Golfo têm retransmitido mensagens entre Washington e Teerã, mas que não há conversas diretas entre as partes.
Em Islamabad, o embaixador iraniano reiterou que não há negociações "diretas ou indiretas" com os Estados Unidos, apesar das declarações do presidente Donald Trump sobre supostos contatos voltados ao fim da guerra.
Na véspera, Trump havia dito que Washington teve conversas "positivas" com um representante iraniano não identificado — afirmação desmentida por Teerã.