Em visita ao Museu da Imigração em São Paulo, o vice-premiê italiano Antonio Tajani defendeu o direito de as pessoas não precisarem emigrar, ressaltando a importância de garantir condições para que permaneçam em suas terras natais. O chanceler condenou o tráfico humano e a imigração irregular, associando-a à insegurança, mas destacou que a Itália necessita de mão de obra e acolhe imigrantes regulares, que devem contar com os mesmos direitos dos cidadãos locais para trabalhar no país europeu.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, visitou nesta quinta-feira (10) o Museu da Imigração, em São Paulo, e afirmou que é preciso defender o "direito a não emigrar".
O local fica na antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, que, entre 1887 e 1978, recebeu mais de 800 mil italianos que sonhavam com uma vida melhor e mais segura no Brasil.
"Nós, como dizia o papa Bento [XVI], devemos defender sobretudo o direito a não emigrar, porque quem emigra evidentemente está mal, tem problemas onde nasceu, onde está sua família", disse Tajani em conversa com jornalistas no Museu da Imigração.
"Devemos fazer com que todos possam permanecer onde estão os próprios afetos", acrescentou. A visita à antiga hospedaria é a última etapa da terceira viagem do ministro das Relações Exteriores ao Brasil, como parte de uma missão empresarial que também passou por Buenos Aires, na Argentina.
Tajani afirmou que o governo italiano está "empenhado na luta contra o tráfico de seres humanos" e disse ser "inaceitável" que coiotes ganhem "milhões de euros explorando os problemas das pessoas".
"Combatemos a imigração irregular porque ela também causa descontentamento na opinião pública. Além disso, há questões de segurança: vejamos quantos imigrantes irregulares estão nas prisões italianas e quantos são rejeitados", salientou.
Por outro lado, o vice-premiê reconheceu que as empresas da Itália "precisam de mão de obra" e de "imigrantes regulares, que são bem-vindos para trabalhar em nosso país". "Devemos fazer com que essas pessoas possam chegar com todos os direitos que cabem aos cidadãos italianos", ressaltou.
O museu divide a antiga Hospedaria de Imigrantes com o Arsenal da Esperança, projeto que fornece acolhida a pessoas em situação de rua e que também foi visitado por Tajani nesta quinta-feira.