Em visita à Coreia do Norte, Xi Jinping reforça parcerias com regime e fala em 'amizade invencível'

O presidente chinês, Xi Jinping, disse nesta segunda-feira (8) ao líder norte-coreano Kim Jong Un que espera que as relações entre os dois países vizinhos atinjam "novos patamares". A declaração foi feita durante visita a Pyongyang, de acordo com a agência estatal chinesa Xinhua.

8 jun 2026 - 10h33

"Estou disposto a trabalhar com o camarada secretário-geral para manter uma comunicação estratégica estreita e continuar a orientar as relações entre a China e a Coreia do Norte rumo a novos patamares", afirmou Xi. "As duas partes devem reforçar seus intercâmbios diplomáticos, policiais e militares", acrescentou. O presidente chinês, Xi Jinping, foi recebido com grande pompa nesta segunda-feira na Coreia do Norte em sua primeira visita desde 2019, que acaba nesta terça-feira (9). O país é o único ligado à China por uma aliança militar oficial e vinculante.

"Independentemente da evolução dos tempos ou de como a situação internacional se transforme, a amizade tradicional entre a China e a Coreia do Norte permanece invencível", insistiu Xi Jinping nesta segunda-feira na capa do Rodong Sinmun, o jornal oficial norte-coreano.

Kim Jong Un e sua esposa, Ri Sol-ju, receberam Xi Jinping, acompanhado de sua esposa, Peng Liyuan, na chegada de seu avião a Pyongyang. Na capital, retratos dos dois líderes dominavam a praça Kim Il Sung durante uma cerimônia de boas-vindas. Soldados e crianças vestidas com trajes coloridos aguardavam a chegada do presidente chinês, mostrou a televisão chinesa CCTV.

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Uma banda militar tocou os hinos nacionais dos dois países, e Xi acompanhou Kim Jong-Un em uma inspeção da guarda de honra, enquanto uma multidão entusiasmada agitava bandeiras, flores e balões. A visita ocorre menos de um mês após as viagens a Pequim dos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Donald Trump e Vladimir Putin, e em meio ao impasse nas negociações nucleares entre Pyongyang e Washington.

Nesta foto divulgada pelo governo da Coreia do Norte, o líder norte-coreano Kim Jong Un, à esquerda, aperta a mão do presidente chinês Xi Jinping em Pequim, na quinta-feira, 4 de setembro de 2025.
Nesta foto divulgada pelo governo da Coreia do Norte, o líder norte-coreano Kim Jong Un, à esquerda, aperta a mão do presidente chinês Xi Jinping em Pequim, na quinta-feira, 4 de setembro de 2025.
Foto: RFI

Arma atômica

Na véspera da chegada de Xi Jinping, a influente irmã de Kim Jong Un, Kim Yo Jong, reiterou que não há possibilidade de abandonar a arma atômica. A Casa Branca afirmou no mês passado que Xi Jinping e Donald Trump "confirmaram seu objetivo comum de desnuclearização da Coreia do Norte" durante sua recente cúpula.

Desde o fracasso da cúpula Kim-Trump em 2019, por falta de acordo sobre a desnuclearização e a retirada das sanções, a Coreia do Norte afirmou diversas vezes que seu status como potência nuclear é "irreversível". O presidente sul-coreano progressista Lee Jae Myung afirmou nesta segunda-feira que Seul não deve abandonar a desnuclearização da Coreia do Norte, sob o risco de provocar um efeito dominó em toda a Ásia Oriental. "A Coreia do Norte ainda produz material nuclear neste exato momento", declarou Lee à imprensa.

As sanções internacionais que restringem o comércio com Pyongyang "são aplicadas na medida do possível. Mas não está claro se a porta está fechada do lado chinês e, evidentemente, está aberta do lado russo. Em outras palavras, as sanções não são muito eficazes", lamentou o presidente sul-coreano.

"Pequim provavelmente já aceitou a Coreia do Norte como potência nuclear", mas Xi Jinping "provavelmente dirá a Kim que a China quer estabilidade acima de tudo", avalia Minseon Ku, professora da Universidade DePaul, nos Estados Unidos.' "A China sempre priorizou a estabilidade e atualmente precisa administrar suas relações e divergências com os Estados Unidos", lembra.

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'Priorizar a estabilidade'

Seong-Hyon Lee, pesquisador visitante do Harvard University Asia Center, avalia que Pequim está operando uma mudança rumo ao "apoio à sustentabilidade do regime", em vez da desnuclearização. "A estratégia regional mais ampla da China se beneficia de um Estado estável, fortemente armado e alinhado, o que absorve parte dos recursos militares dos Estados Unidos e de seus aliados", disse.

O objetivo seria obter vantagens estratégicas em relação aos Estados Unidos e a seu aliado, a Coreia do Sul.

"Pyongyang é uma carta de negociação para Xi, enquanto Washington e Seul pediram sua ajuda para relançar as negociações", avalia Cheong Seong Chang, pesquisador do Sejong Institute, em Seul, em entrevista ao jornal francês Le Figaro. Também busca se posicionar como intermediário de um eventual reencontro entre o líder norte-coreano e Donald Trump.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump reafirmou diversas vezes o desejo de retomar o diálogo com Kim, mas o regime exige que a "desnuclearização" da península seja excluída da mesa de negociações.

Embora a China continue sendo um apoio diplomático, econômico e político fundamental para Pyongyang, submetido a múltiplas sanções da ONU, o líder norte-coreano Kim Jong Un se aproximou de Moscou e chegou a enviar soldados em apoio às forças russas contra a Ucrânia. Em setembro passado, Kim apareceu ao lado de Xi Jinping e do presidente russo Vladimir Putin durante um grande desfile militar em Pequim.

Com agências

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