Em reaproximação diplomática com o Ocidente, Síria é reintegrada a organização que regula armas químicas

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) anunciou nesta quinta-feira (9) a reintegração da Síria, destacando uma "mudança significativa nas circunstâncias" desde a queda de Bashar al-Assad, em 2024, e "medidas concretas" tomadas para desmantelar seu arsenal de substâncias proibidas.

9 jul 2026 - 15h19

A decisão surge em um contexto de reaproximação diplomática da Síria com potências ocidentais. Um dia antes, os Estados Unidos haviam anunciado que iriam retirar o país de sua lista de nações acusadas de apoiar o terrorismo - uma designação de longa data que restringia investimentos no território sírio.

Síria é reintegrada a organização que regula armas químicas após deixar lista dos EUA sobre apoio ao terrorismo. (Imagem ilustrativa)
Síria é reintegrada a organização que regula armas químicas após deixar lista dos EUA sobre apoio ao terrorismo. (Imagem ilustrativa)
Foto: ©REUTERS/Yves Herman / RFI

Em outro episódio recente, o presidente da França, Emmanuel Macron, reuniu-se em Damasco com Ahmed al-Sharaa, chefe de Estado sírio, na primeira visita de um líder ocidental ao país desde que a coalizão islâmica de al-Sharaa assumiu o poder.

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A passagem de Macron pela capital síria, no início da semana, foi marcada por um atentado a bomba próximo ao hotel onde ele estava hospedado. A visita faz parte do esforço da França para estreitar os laços diplomáticos e econômicos com o país.

Suspensão em vigor desde 2021

As sanções da Opaq contra a Síria estavam em vigor desde 2021, quando a organização, sediada em Haia, havia tomado a decisão sem precedentes de suspender os direitos de voto do país após constatar que sua força aérea havia utilizado sarin - um agente que ataca o sistema nervoso - e gás cloro contra sua própria população. 

Desde a queda de Assad em 2024, as novas autoridades em Damasco comprometeram-se a cooperar com a Opaq para destruir as armas químicas que o ex-presidente foi repetidamente acusado de utilizar durante a guerra civil de treze anos na Síria.

Essa decisão "marca um novo passo importante nos esforços da Opaq para alcançar a eliminação completa e verificada de todas as armas químicas remanescentes associadas ao antigo governo sírio", disse o Diretor-Geral da organização, Fernando Arias.

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O governo pós-Assad autorizou os inspetores da Opaq a estabelecer uma presença permanente no país para documentar locais suspeitos de abrigar armas químicas e entrevistar testemunhas de ataques passados.

"Chance de se reconstruir"

Na quarta-feira (8), os Estados Unidos anunciaram que removeriam a Síria de sua lista de países acusados de apoiar o terrorismo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, informou oficialmente o Congresso sobre essa decisão, que entrará em vigor em 45 dias, a menos que os legisladores decidam inesperadamente bloqueá-la.

"Suspender as sanções desbloqueará o comércio e os investimentos internacionais, dará à Síria a chance de se reconstruir e abrirá um novo capítulo para o povo sírio", defende Rubio.

Em seu comunicado, o secretário de Estado explicou que a decisão foi tomada após receber "garantias formais" de Ahmed al-Sharaa de que "a Síria não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro". 

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O anúncio foi feito após uma reunião realizada à margem da cúpula da Otan na Turquia entre Donald Trump e Ahmed al-Sharaa, que se tornou presidente da Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.

Donald Trump havia começado a suspender a maioria das sanções contra o país um ano antes, depois que a Turquia e a Arábia Saudita o incentivaram a se reunir com Ahmed al-Sharaa. 

A Síria constava na lista dos EUA de países acusados de apoiar o terrorismo desde a criação do documento, em 1979. Após essa decisão, apenas Irã, Coreia do Norte e Cuba permanecem.

RFI com AFP

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