Em meio às buscas por novos sobreviventes no Nepal, ONU faz apelo 'urgente' por ajuda internacional

As buscas pelos desaparecidos após a enchente devastadora no Nepal chegaram ao 12° dia consecutivo, na esperança de encontrar novos sobreviventes. Neste domingo (6), a coordenadora da ONU no país, Lila Pieters Yahia, renovou seu apelo por ajuda internacional "urgente", alertando para o extremo sofrimento e a situação precária que enfrenta a população local após o desastre.

6 set 2026 - 12h31
Resumo
Inundações devastadoras na fronteira entre o Nepal e o Tibete deixaram ao menos 1.384 mortos, mais de 5.500 desaparecidos e 80 mil desabrigados. Diante do rastro de destruição que isolou comunidades e bloqueou estradas, a ONU fez um apelo urgente por quase US$ 50 milhões em ajuda internacional. Além do resgate de sobreviventes, as autoridades enfrentam graves riscos sanitários, como surtos de cólera decorrentes da falta de água, do esgoto precário e de milhares de animais mortos.

Segundo dados oficiais divulgados neste domingo, a enchente causou pelo menos 1.384 mortes — 1.341 no Nepal e 43 no território chinês do Tibete — e deixou mais de 5.500 desaparecidos — 4.996 no Nepal e 519 no Tibete.

Diante deste cenário, a coordenadora da ONU enfatizou a dimensão da destruição causada pela onda de água gelada, lama e pedras que devastou diversos vales na fronteira entre o Nepal e a China.

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"Você perde o teto sobre a sua cabeça, perde o seu sustento, perde seus entes queridos, perde o provedor da família, e tudo isso em um ou dois minutos", disse Pieters Yahia, em entrevista à AFP.

Nos últimos dois dias, ao menos quatro pessoas foram resgatadas com vida, renovando as esperanças das equipes de buscas e das famílias de vítimas ainda desaparecidas.

Na sexta-feira (4), dois trabalhadores nepaleses foram encontrados sãos e salvos em túneis soterrados em usinas hidrelétricas. No sábado (5), um cidadão chinês foi salvo no mesmo local, enquanto uma mulher de 64 anos foi resgatada de sua casa destruída.

Equipes resgatam um homem preso na lama após inundações no Nepal.
Equipes resgatam um homem preso na lama após inundações no Nepal.
Foto: RFI

Riscos à saúde

Mais de 80 mil pessoas também foram afetadas pelas inundações, ficando sem nada, de acordo com as Nações Unidas. Dias depois, aqueles que vivem perto do epicentro do desastre continuam isolados e com dificuldades de acesso por parte das autoridades, ONGs ou agências da ONU.

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"Essas pessoas estão isoladas do resto do mundo porque não há mais estradas", alertou a coordenadora da entidade. "E quando se encontra uma maneira de levar ajuda a elas, surge outro problema... o acesso a essas populações precisa ser melhorado urgentemente".

Com a maioria das estradas e pontes destruídas, uma viagem de duas horas agora pode levar um dia inteiro. "O Himalaia é absolutamente magnífico... deslumbrante, sagrado, mas também é um ambiente muito, muito difícil", explicou Pieters Yahia. "Há deslizamentos de terra e a estação das monções ainda não terminou".

Além das dificuldades em obter alimentos, água e abrigo, ela expressou preocupação com a deterioração das condições sanitárias nos abrigos de emergência, bem como com a segurança das mulheres. Dados do governo indicam que pelo menos 5 mil cabeças de gado e 20 mil aves morreram nas inundações.

"Esta é uma ameaça séria porque pode facilitar a propagação de doenças contagiosas", argumentou ela. "Não podemos descartar o risco de cólera; o saneamento e a higiene devem ser melhorados", alerta. Lila Pieters Yahia pediu mais uma vez à comunidade internacional que ajude o Nepal, país com 30 milhões de habitantes.

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"É hora de ajudar o Nepal. Agora. Não podemos abandoná-los", enfatizou a coordenadora da ONU no país, Lila Pieters Yahia.

Na sexta-feira, agências das Nações Unidas já haviam lançado um apelo de emergência para arrecadar quase 50 milhões de dólares para atender às necessidades básicas das pessoas afetadas pelo desastre.

Com AFP

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