Em seu discurso anual aos embaixadores franceses, Macron defendeu, como resposta a esse "mundo que está saindo do eixo", o que chamou de "multilateralismo eficaz". "Rejeitamos o novo colonialismo e o novo imperialismo", disse ele, acrescentando que "também recusamos a 'vassalização' e o derrotismo".
"Estamos evoluindo em um mundo de grandes potências tentadas a dividir o mundo entre si", afirmou o presidente francês, em alusão à operação organizada por Washington para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro e às exigências de Trump em relação à Groenlândia.
Embora tenha criticado a China, com sua "agressividade comercial cada vez mais desinibida", e a Rússia, que classificou como "potência desestabilizadora" na Ucrânia, Macron concentrou seus comentários nos Estados Unidos.
EUA se afastam de aliados
Os EUA são uma potência que está "gradualmente se afastando de alguns de seus aliados e se libertando das regras internacionais que defendiam até recentemente", lamentou Macron, mencionando também uma "agressividade neocolonial" crescente.
No discurso do ano passado, o chefe de Estado francês criticou o que chamou de "internacional reacionária", apoiada pelo bilionário Elon Musk, mas defendeu a necessidade de França e Europa "aprenderem a cooperar" com Donald Trump.
Desta vez, apesar de criticar abertamente a diplomacia de Trump, Macron não defendeu uma ruptura com a principal potência mundial e pediu aos diplomatas que não se limitassem a comentar o que "todos os outros estão fazendo" e a serem "espectadores de um desmantelamento".
Quand la France s'engage, elle est là.
Cela a beaucoup de valeur pour notre diplomatie, pour nos entreprises et pour nos intérêts stratégiques partout dans le monde.
Mon message à nos Ambassadrices et Ambassadeurs : pic.twitter.com/N8UHn4iNHk
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 8, 2026
"Estamos aqui para agir"
"É o contrário! Não estamos aqui para comentar, estamos aqui para agir!", declarou. A França acaba de assumir a presidência do G7 (que inclui EUA, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá), e Macron afirmou que pretende aproveitar o momento para combater os "desequilíbrios globais" de forma "cooperativa", especialmente com a China.
Ele também alertou que o G7 não deve se transformar em "um clube anti-Brics", bloco que reúne "grandes países emergentes", como Brasil, Rússia, Índia e China.
Segundo Macron, a cúpula do G7 em junho, em Evian (Alpes franceses), é uma oportunidade para que, "junto" com os países emergentes, seja feita a reforma da "governança global" e das Nações Unidas, que, segundo ele, viraram "uma novela sem fim".
Com agências