Em alta nas pesquisas, general de ultradireita quer atrair italianos do Brasil

Vannacci prevê incentivos fiscais para que cidadãos se mudem para Itália

14 ago 2026 - 10h42
(atualizado às 11h19)

O partido Futuro Nacional (FN), liderado pelo general de ultradireita Roberto Vannacci e que está em ascensão nas pesquisas de intenção de voto na Itália, divulgou um programa eleitoral que prevê incentivos para atrair cidadãos residentes no exterior e cita nominalmente o Brasil.

Roberto Vannacci durante evento de seu partido, o Futuro Nacional
Roberto Vannacci durante evento de seu partido, o Futuro Nacional
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O documento foi publicado nesta semana, na esteira do crescimento do FN em vista das eleições legislativas do ano que vem. O partido, fundado por Vannacci em fevereiro de 2026, faz oposição ao governo da premiê de direita Giorgia Meloni e já aparece como o quinto mais popular do país.

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Um dos cavalos de batalha da legenda é a questão migratória, e o programa reúne uma série de propostas para dificultar o acesso à cidadania por parte de imigrantes, incluindo o aumento do prazo de residência na Itália de 10 para 20 anos, a exigência de conhecimento avançado de italiano e uma "declaração formal" de que o candidato aceita os "princípios da civilização grega, romana e cristã".

Além disso, o FN rejeita a instituição do princípio do "jus soli" ("direito de solo"), ou seja, o reconhecimento da cidadania para filhos de imigrantes nascidos na Itália, e deseja implementar políticas para reduzir a presença de estrangeiros, incluindo os regularizados, no país.

Por outro lado, a legenda propõe "incentivos fiscais para o retorno dos italianos em idade produtiva que estão no exterior".

"Basta pensar nos tantos cidadãos italianos que vivem na Venezuela, no Brasil, na Argentina. Família jovens, pessoas em idade produtiva, italianos pelo jus sanguinis [cidadania por direito de sangue]. O Futuro Nacional promoverá a resposta imediata ao problema demográfico com uma 'remigração em direção à Itália', tentando atrair para nosso país os italianos do exterior", diz o texto.

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O programa, no entanto, não aborda a contestada reforma da cidadania promovida pelo governo Meloni em 2025, que restringiu o princípio do jus sanguinis. A medida estabeleceu que a cidadania por direito de sangue pode ser transmitida apenas por pais e avós exclusivamente italianos, o que diminuiu de forma drástica o número de ítalo-descendentes aptos a pedir o reconhecimento. Essa reforma, no entanto, é alvo de ações na Justiça da Itália e da União Europeia.

Ascensão

Vannacci ganhou os holofotes em 2023, quando publicou um livro com teses homofóbicas e racistas. Uma delas diz que homossexuais "não são normais" e denuncia um suposto "lobby gay internacional" para promover as relações entre pessoas do mesmo sexo.

Além disso, o general afirma na obra que os "traços físicos" de Paola Egonu, uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo, "não representam a italianidade" ? ela é italiana filha de nigerianos.

Atraído pela atenção dada a Vannacci, o vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, o convidou para integrar o seu partido, a nacionalista Liga, e deu a ele até o cargo de vice-secretário da legenda, além de papel de destaque nas eleições europeias de 2024, quando o general foi o segundo candidato mais votado no país.

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No entanto, em fevereiro de 2026, Vannacci abandonou a Liga e passou a fazer oposição a Meloni, tornando-se uma dor de cabeça para a coalizão da premiê em vista das próximas eleições.

As pesquisas colocam o FN com cerca de 7% das intenções de voto, à frente da Liga (6%) e colado no conservador Força Itália (FI), do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, com 8%. Já o Irmãos da Itália (FdI), partido de Meloni, lidera com 27%, seguido de duas legendas de oposição: o progressista Partido Democrático (PD), com 21%, e o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), com 13%.

O temor da premiê é de que o general roube votos da aliança governista e facilite uma vitória da centro-esquerda no pleito do ano que vem.

Além das polêmicas sobre a questão migratória, Vannacci também já disse que o ditador fascista Benito Mussolini era um "estadista" que também fez "coisas boas", sugeriu a criação de salas de aula separadas para crianças com deficiências intelectuais, prometeu abolir o crime de feminicídio e defende um modelo de "patriarcado mediterrâneo", com a formação de "machos fortes para proteger as mulheres".

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