Em 1ª Vigília Pascal, Papa pede que mundo não se paralise diante de guerras

Leão XIV batizou 10 adultos durante celebração na Basílica de São Pedro

4 abr 2026 - 19h00

O papa Leão XIV presidiu, pela primeira vez em seu pontificado, a tradicional Vigília Pascal na Basílica de São Pedro, no Vaticano, neste Sábado de Aleluia (4), e fez um forte apelo para que a humanidade não se deixe paralisar diante das guerras, injustiças e divisões do mundo atual.

    Em sua homilia, o Pontífice destacou que, mesmo diante de cenários difíceis, é possível construir um futuro de paz e unidade e enfatizou que "as pedras podem ser removidas até de nossos túmulos".

Publicidade

    Leão XIV listou os males de nossos dias, como a "desconfiança, o medo, o egoísmo, o ressentimento", e até mesmo "a guerra, a injustiça e o isolamento entre povos e nações": "São rochas, pedras tão pesadas e bem guardadas que parecem imóveis. Mas não é esse o caso".

    O líder da Igreja Católica destacou que, ao longo da história, muitos homens e mulheres, com a ajuda de Deus, conseguiram superar essas barreiras, às vezes com grande dificuldade ou até ao custo de suas vidas, deixando frutos de bondade que ainda hoje beneficiam a humanidade. "Tiveram a coragem de falar com as palavras de Deus", acrescentou.

    Na sequência, ele convidou todos a encontrar uma saída, construir "um novo mundo", exortando o planeta a "renascer com Cristo" e a se inspirar pelo seu exemplo.

    "Como as mulheres que correram para contar a seus irmãos e irmãs, nós também queremos sair desta Basílica para levar a todos a boa nova de que Jesus ressuscitou e que, com a sua força, ressuscitados com ele, também nós podemos dar vida a um novo mundo de paz e unidade", afirmou.

Publicidade

    Além disso, Robert Prevost pediu para que a mensagem de paz e harmonia se espalhe pelo mundo, lembrando que "ao longo da história, homens e mulheres agiram para superar o ressentimento, o isolamento, a injustiça e a guerra".

    "Que sejamos tocados pelo seu exemplo e, nesta Noite Santa, façamos nosso o seu compromisso, para que em todo o mundo, os dons pascais da harmonia e da paz cresçam e floresçam", destacou.

    Após a Via Crucis, que se concentrou inteiramente nas feridas causadas pela guerra, a Vigília Pascal também levou em conta o momento difícil que o mundo atravessa e o chamado para buscar caminhos de diálogo e reconciliação, mesmo onde pareçam impossíveis.

    "O santo mistério desta noite dissipa o ódio, atenua a dureza dos poderosos, promove a harmonia e a paz", disse o Papa, ecoando as palavras do "precônio", o solene hino litúrgico cantado no início da Vigília Pascal, porque "Deus, à dureza do pecado que divide e mata, responde com o poder do amor que une e restaura a vida".

Publicidade

    Conhecida como a "mãe de todas as vigílias", a Vigília Pascal teve início no átrio da igreja com a bênção do fogo e a preparação do círio. Na sequência, foi realizada a procissão no escuro rumo ao altar, com o círio pascal. Logo depois, as luzes foram acesas, em um ato que simboliza a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida.

    A cerimônia seguiu com o canto do "Exsultet" e as Liturgias da Palavra, com nove leituras do antigo e novo testamento, alternadas com salmos, e Batismal. O momento marcou um retorno à tradição, tendo em vista que o falecido papa Francisco havia reduzido o número das leituras para cinco.

    Durante este último momento, Leão XIV administrou o sacramento da iniciação cristã a 10 adultos: cinco provenientes da diocese de Roma, dois do Reino Unido, dois de Portugal e um da Coreia do Sul. Além do batismo, os catecúmenos também receberam a primeira comunhão e a confirmação do sacramento (Crisma).

    O grupo reuniu jovens na faixa dos 20 anos, mas também pessoas mais velhas que se prepararam por dois anos e que, por diversos motivos, decidiram abraçar a fé católica somente na idade adulta.

Publicidade

    Esta foi a primeira vigília presidida por Robert Prevost, desde que assumiu a liderança da Igreja Católica em maio de 2025. Seu antecessor, o argentino Jorge Bergoglio, morreu em 21 de abril do ano passado, logo após o domingo de Páscoa.

    Agora, o Santo Padre celebrará no domingo (5) a missa de Páscoa e fará a tradicional mensagem "Urbi et Orbi" ("À cidade e ao mundo"), na qual deverá abordar as principais crises da atualidade. .

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações