O deputado federal mexicano Zenyazen Escobar, do partido governista Morena, foi encontrado morto a tiros dentro de seu carro em Veracruz. As autoridades investigam o caso, ocorrido a menos de um ano das eleições gerais no país. O crime reflete a crescente violência político-criminal ligada ao crime organizado, que tenta cooptar lideranças e influenciar o processo democrático por meio de homicídios, ameaças e coerção eleitoral em diversos estados do México.
Por Lizbeth Diaz
CIDADE DO MÉXICO, 4 Set - Um deputado federal do partido Morena, atualmente no poder no México, foi encontrado nesta sexta-feira morto com um ferimento à bala no Estado de Veracruz, no leste do país, a menos de um ano das eleições locais e federais.
Zenyazen Escobar, parlamentar federal que representava o Estado litorâneo onde se encontram alguns dos complexos petrolíferos do país, foi encontrado morto dentro de seu carro com pelo menos um ferimento à bala.
"O inquérito está sendo montado", disse a procuradora-geral do Estado, Lisbeth Jiménez, sem fornecer detalhes.
O secretário-geral de Veracruz, Ricardo Ahued, afirmou que o veículo do parlamentar não apresentava sinais de violência.
A Câmara dos Deputados do México expressou suas condolências à família e aos amigos de Escobar e instou autoridades a conduzirem uma "investigação minuciosa dos fatos".
A morte ocorreu enquanto o país se prepara para eleições, em 6 de junho, para renovar cargos de prefeito, deputado estadual, vereador e governador.
Em eleições anteriores, diversas regiões sofreram incidentes de violência ligados a grupos do crime organizado que buscavam cooptar figuras políticas e consolidar o controle territorial.
De acordo com a organização de direitos humanos Data Cívica, somente em julho ocorreram pelo menos 30 incidentes de "violência político-criminal" em 11 Estados do México, sendo 14 deles homicídios.
Os Estados com o maior número de casos registrados foram Zacatecas, com 10 casos; Michoacán e Quintana Roo, com quatro cada; Oaxaca, com três; e Baixa Califórnia e Veracruz, com dois cada.
A Data Cívica descreve a violência político-criminal como ameaças, homicídios, ataques armados, tentativas de assassinato, desaparecimentos e sequestros.
O órgão eleitoral nacional, o INE, alertou que o crime organizado representa uma das preocupações mais sérias para os processos democráticos.
Segundo o INE, decisões judiciais já documentaram, no passado, a presença de indivíduos armados com o objetivo de intimidar ou coagir o público a votar de determinada maneira, assim como atos de furto e incêndio de material eleitoral.