Agentes da Guarda Costeira cubana mataram quatro tripulantes de uma lancha americana em um confronto nesta quarta-feira (25/1) na costa norte da ilha, segundo o Ministério do Interior de Cuba (Minint).
Outras seis pessoas que estavam na embarcação ficaram feridas.
O incidente ocorreu em águas cubanas, perto de Cayo Falcones, na província central de Villa Clara.
Em comunicado, o Ministério do Interior informou que a lancha interceptada, com matrícula da Flórida FL7726SH, "transportava 10 pessoas armadas, que, segundo declarações preliminares dos detidos, tinham a intenção de realizar uma infiltração com fins terroristas".
"Todos são cubanos residentes nos Estados Unidos", acrescentou.
Ainda de acordo com as autoridades cubanas, "foram apreendidos fuzis, armas curtas, explosivos caseiros (coquetéis molotov), coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes de camuflagem".
Mais cedo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo havia sido informado pelas autoridades cubanas sobre o incidente e que aguardava mais detalhes.
Ele ressaltou que "não se tratava de uma operação dos EUA" e que a lancha não carregava funcionários do governo americano.
Rubio também classificou o episódio como "extremamente incomum" e disse que Washington não baseará suas conclusões "no que os cubanos nos disseram".
Ainda nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que o país permitirá a exportação de petróleo venezuelano ao setor privado de Cuba para uso comercial e humanitário.
O secretário de Estado advertiu que as sanções serão retomadas caso o petróleo acabe sendo destinado ao governo ou às Forças Armadas.
O que se sabe sobre o confronto
Segundo a versão do Ministério do Interior da Cuba, a lancha com matrícula da Flórida estava a aproximadamente uma milha náutica a nordeste do canal marítimo El Pino.
Quando a embarcação cubana com cinco integrantes da Guarda Costeira se aproximou do veículo para identificação, "os tripulantes da lancha atiraram", ferindo o comandante cubano.
"Como consequência do confronto, quatro agressores foram mortos e seis ficaram feridos, sendo socorridos e recebendo atendimento médico", informou o Minint em um primeiro comunicado.
Posteriormente, o ministério passou a se referir aos feridos como detidos e divulgou suas identidades: Amijail Sánchez González, Leordan Enrique Cruz Gómez, Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodríguez Castelló, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra.
Entre os mortos, estava Michel Ortega Casanova. Os outros três ainda estão sendo identificados, segundo o Minint.
O Minint afirmou que "as investigações continuam para o total esclarecimento dos fatos".
Por sua vez, a Presidência de Cuba publicou na plataforma X que "reitera sua disposição de proteger as águas territoriais, tendo como base que a defesa nacional é um pilar fundamental do Estado cubano em favor da proteção de sua soberania e da estabilidade na região".
A BBC entrou em contato com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e com a Casa Branca para solicitar suas versões dos fatos.
Em entrevista a repórtes em São Cristóvão e Névis, onde viajou para se reunir com líderes caribenhos — em meio ao esforço da administração de Donald Trump para aumentar a pressão sobre o governo cubano — Rubio disse que era "extremamente incomum ver tiroteiros em alto-mar como esse".
"Não é algo comum que acontece todos os dias", afirmou.
"Vamos descobrir exatamente o que aconteceu, quem esteve envolvido, e tomaremos uma decisão com base no que apurarmos", continuou.
Ele prometeu os Estados Unidos agirão "rapidamente" para reunir as principais informações sobre o caso e que a Guarda Costeira dos EUA já se deslocou para as "proximidades" do ataque.
"Não sei quem está de posse da embarcação. Essa é a primeira coisa que queremos esclarecer", afirmou.
"Obviamente queremos ter acesso a essas pessoas, caso sejam cidadãos americanos ou residentes nos Estados Unidos", disse Rubio, antes do governo de Cuba divulgar informações sobre as pessoas detidas.
Deputados pedem investigação
O incidente ocorre em meio ao aumento das tensões entre os EUA e Cuba, que enfrenta uma crise de combustíveis cada vez mais grave, agravada pelo bloqueio imposto pelos EUA ao fornecimento de petróleo da Venezuela, um aliado de longa data para a ilha.
A declaração cubana fez alusão a essas tensões, afirmando que "diante dos desafios atuais, Cuba reafirma sua determinação em proteger suas águas territoriais" e salvaguardar sua soberania.
O incidente de quarta-feira levou vários legisladores da Flórida a pedir uma investigação e a criticar o governo cubano.
O congressista da Flórida, Carlos Gimenez, ex-prefeito cubano-americano de Miami, disse que exigiria uma investigação sobre o que chamou de "massacre".
James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, afirmou que orientaria as autoridades policiais locais a investigar o incidente.
"O governo cubano não é confiável e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas", afirmou.
No Senado, o republicano Rick Scott exigiu "uma investigação completa desta situação profundamente preocupante e para determinar o que aconteceu".
"O regime comunista cubano precisa ser responsabilizado!", acrescentou.