Crosetto defende que Itália mantenha financiamento à Ucrânia

'Interromper apoio seria renunciar à paz', disse ministro da Defesa

15 jan 2026 - 10h02
(atualizado às 10h47)

O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, defendeu nesta quinta-feira (15) que o governo de Giorgia Meloni continue a financiar a Ucrânia contra a Rússia, às vésperas do quarto aniversário da guerra, em fevereiro.

Crosetto durante discurso na Câmara dos Deputados da Itália nesta quinta
Crosetto durante discurso na Câmara dos Deputados da Itália nesta quinta
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Apoiar Kiev não significa querer prolongar o conflito, mas sim impedir que o fim das hostilidades se transforme em uma paz aparente e frágil, construída sobre a injustiça e destinada a ruir novamente", disse Crosetto na Câmara dos Deputados, em meio às críticas de parte da oposição e até da Liga, partido nacionalista liderado pelo ministro da Infraestrutura e vice-premiê Matteo Salvini, ao suporte militar de Roma a Kiev.

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"Interromper o apoio e a ajuda à Ucrânia hoje seria desistir da paz antes mesmo de ela ser construída", reforçou o ministro da Defesa, recebendo aplausos de parlamentares do Irmãos da Itália (FdI), partido de direita chefiado por Meloni, e do Força Itália (FI), de centro-direita.

Para Crosetto, Kiev "precisa de uma capacidade de defesa adequada não para atacar ou vencer a guerra, mas para proteger o próprio território e a população". "A retirada de apoio internacional não levaria à paz, pelo contrário: favoreceria uma escalada ainda maior da agressão" russa, continuou ele.

Em seu discurso aos parlamentares, Crosetto também destacou que a ajuda fornecida pela Itália à Ucrânia sempre teve como objetivo "impedir aqueles que querem destruir e subjugar a população ucraniana".

"Alguns de vocês se envergonham disso [do apoio], mas eu me sinto orgulhoso", frisou Crosetto, acrescentando que, "se pudesse dar mais armas a Kiev para sua defesa", o faria.

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Em apoio ao ministro da Defesa, o deputado Marco Padovani, do Irmãos da Itália, reforçou que "toda a ajuda italiana à Ucrânia até o momento foi destinada a ajudar civis inocentes". Entretanto ele fez uma ressalva: "A Itália continuará com ajuda civil e militar, mas a civil será mais consistente" a partir de agora.

Entre os críticos do apoio italiano a Kiev está o partido de antissistema Movimento 5 Estrelas, que também fez um pronunciamento sobre o tema.

"Vocês apostaram na vitória militar da Ucrânia; apostaram o dinheiro dos italianos e vidas ucranianas. Meloni deveria renunciar por incompetência manifesta", declarou o deputado do M5S Marco Pellegrini.

No próximo 24 de fevereiro, a guerra no leste europeu completará quatro anos, sem que haja avanços concretos em um acordo de paz.

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