Projeções dão vitória a partido do chanceler Friedrich Merz na Renânia-Palatinado, à frente dos sociais-democratas, que governam estado há 35 anos. Ultradireitista AfD fica em 3°, em votação recorde para sigla no estado.Os conservadores da União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, venceram as eleições deste domingo (22/03) no estado da Renânia-Palatinado, no sudoeste da Alemanha, à frente do Partido Social-Democrata (SPD), que governa a região desde 1991. O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) mais que dobrou seu resultado de 2021 e deve se tornar a terceira maior bancada no Legislativo regional.
De acordo com projeções das emissoras públicas ZDF e ARD, em uma disputa acirrada pelo primeiro lugar, a CDU obteve 30,5% dos votos, o SPD entre 26,5% e 26,9%, o partido de ultradireita AfD, 20% e o Partido Verde, entre 7,7% e 8,3%.
Caso as previsões se confirmem nessa região ocidental que faz fronteira com a França, os social-democratas perderão a chefia do governo estadual em Mainz após 35 anos de liderança ininterrupta.
Esse é o segundo revés em duas semanas do partido do vice-chanceler Lars Klingbeil, aliado de Merz no âmbito federal, após o desastre em Baden-Württemberg, onde o SPD caiu para um nível historicamente baixo (5,5%) no começo deste mês.
O principal candidato do SPD, o atual primeiro-ministro da Renânia-Palatinado, Alexander Schweitzer, estava no cargo desde julho de 2024 e esperava se reeleger.
O secretário-geral do SPD, Tim Klüssendorf, disse à ARD que os resultados representaram um "grande revés".
A CDU, que estava ligeiramente à frente do SPD nas pesquisas que antecederam as eleições parlamentares, espera assumir o governo de Mainz pela primeira vez em três décadas e meia.
"Retorno"
O candidato conservador, Gordon Schneider, comemorou o "retorno" da CDU à Renânia-Palatinado e afirmou que os eleitores optaram pela "mudança", por "uma política educacional melhor, uma política de segurança diferente, uma política de saúde diferente e uma política econômica diferente".
Desde 2016, a Renânia-Palatinado é governada por uma coalizão formada pelo SPD, o Partido Verde e o Partido Liberal (FDP). Prevê-se que o FDP tenha obtido entre 2% e 2,1% dos votos, ficando aquém do limiar de 5% necessário para entrar no parlamento regional.
O partido A Esquerda e o Partido dos Eleitores Livres também não deverão conseguir assentos no parlamento de Mainz.
Nas eleições de 2021, o SPD ainda obteve 35,7% dos votos, à frente da CDU (27,7%) e dos Verdes (9,3%).
O AfD obteve 8,3% nessas eleições, o que significa que, cinco anos depois, mais do que dobraria seu resultado de 2021.
Aliança CDU e SPD
Os ganhos do AfD nessas eleições provavelmente levarão a uma situação no parlamento regional em que a única possibilidade de formar uma maioria governante será uma aliança entre a CDU e o SPD.
Tanto o SPD quanto a CDU descartam qualquer tipo de cooperação com a ultradireita.
O principal candidato da AfD, Jan Bollinger, observou que seu partido obteve seu "melhor resultado no oeste" da Alemanha.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, classificou o resultado como "recorde". "O eleitorado votou por uma aliança de centro-direita, mas os partidos decidiram o contrário", e, da oposição, "continuaremos a pressionar sobre o assunto" com o objetivo de chegar ao governo "nas próximas eleições".
As eleições de domingo foram as segundas deste ano, após as de Baden-Württemberg, também no sudoeste, e anteriores às da Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, ambas regiões do leste, e da cidade-estado de Berlim.
Nas eleições de Baden-Württemberg, a AfD quase dobrou sua votação (chegando a 18,8%) e garantiu o terceiro lugar, atrás do Partido Verde e da CDU.
Sinal positivo para Merz
Uma vitória da CDU seria um sinal positivo para Merz, que também é o líder do partido, em um momento delicado devido à sua popularidade em declínio e à derrota para os verdes no início de março em Baden-Württemberg.
Merz, que lidera a Alemanha desde maio, teve um início de ano difícil devido ao ritmo lento das reformas econômicas.
md (EFE, AFP)