Uma comissão da ONU acusou a Rússia de crimes contra a humanidade devido a ataques sistemáticos à rede energética da Ucrânia e ao tráfico de pessoas para suas forças armadas. Os bombardeios deixaram milhões sem luz, água e aquecimento em invernos rigorosos. O relatório aponta ainda que Moscou coagiu cidadãos de 29 países para atuar em missões perigosas na guerra, resultando em mortos e desaparecidos. O governo russo não reconhece a comissão.
Uma comissão internacional independente, com mandato do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, acusou nesta segunda-feira (26) a Rússia de crimes contra a humanidade.
A denúncia tem como base os ataques à infraestrutura energética na Ucrânia e o tráfico de seres humanos para reforçar suas forças armadas.
A comissão, criada em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, observa que, "ao longo dos anos, a frequência, a intensidade e a abrangência geográfica" das "ondas de ataques" de Moscou aumentaram, causando danos consideráveis ao setor energético ucraniano.
Além disso, também cita que, no último inverno, quando as temperaturas chegaram a 21 graus abaixo de zero, milhões de pessoas na Ucrânia sofreram interrupções prolongadas no fornecimento de aquecimento, eletricidade, água e gás, enfrentando "condições de vida insuportáveis" ? ao passo que, neste ano, "com a aproximação do inverno, os bombardeios intensificaram-se mais uma vez".
No que diz respeito ao recrutamento de cidadãos estrangeiros por Moscou, a comissão afirma ter "reunido provas contundentes de que as autoridades russas estiveram envolvidas no tráfico de indivíduos de 29 países", incluindo nações que vão de Bangladesh e El Salvador à África do Sul.
Segundo a acusação, os russos recorreram ao "engano e coerção, em coordenação com intermediários ou agências que operam em diversos países e regiões ao redor do mundo".
Ao chegarem à Rússia, alguns desses combatentes tiveram seus documentos confiscados antes de serem enviados para a Ucrânia, onde foram designados, majoritariamente, para "missões perigosas".
"Muitos foram mortos ou estão desaparecidos", reforçou o grupo de especialistas.
A comissão não fala em nome da ONU e não é reconhecida por Moscou.