Quase 1,5 milhão de pessoas estão registradas para votar na Cisjordânia ocupada e 70 mil na região de Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, segundo a Comissão Eleitoral Central, com sede em Ramallah. Na abertura das seções eleitorais, às 7h, horário local, imagens obtidas pela AFP mostram funcionários eleitorais nas seções, mas poucos eleitores.
"Estas eleições são simbólicas, mas eu as vejo como uma expressão da nossa vontade de viver. Somos um povo instruído e determinado; merecemos ter nosso próprio Estado", disse Mohammed al-Hasayna, de 24 anos, à AFP após votar em Deir el-Balah. "Queremos que o mundo nos ajude a superar a catástrofe da guerra. É hora de trabalhar na reconstrução de Gaza."
Os vereadores são responsáveis por serviços essenciais como água, saneamento e infraestrutura local, mas não possuem poder legislativo. Com as eleições presidenciais e parlamentares suspensas desde 2006, eles se tornaram uma das poucas instituições democráticas em funcionamento sob a gestão da Autoridade Palestina, que enfrenta críticas relacionadas à corrupção, estagnação econômica e perda de legitimidade.
Os doadores de campanha condicionam cada vez mais seu apoio à realização de reformas, em especial de governança local. A maioria dos candidatos está alinhada com o Fatah, o partido nacionalista e laico do presidente Mahmoud Abbas, ou é independente. Nenhum declara apoio ao Hamas, rival islâmico do Fatah, que controla quase metade da Faixa de Gaza e cujo ataque a Israel, em 7 de outubro de 2023, desencadeou a guerra no território palestino.
ONU vê 'oportunidade importante'
O coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, celebrou a realização das eleições, considerando-as "uma oportunidade importante para os palestinos exercerem seus direitos democráticos em um momento particularmente difícil".
Mahmoud Bader, um empresário de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, diz que votará, mas sem ilusões. "Sejam independentes ou de um partido, os candidatos não mudarão nada na cidade", disse ele à AFP, observando que Israel controla dois campos de refugiados vizinhos há mais de um ano. "É a ocupação (israelense) que controla Tulkarem", acrescentou.
Em outras grandes cidades, incluindo Nablus e Ramallah, há apenas uma lista de candidatos. As urnas fecharão às 19h na Cisjordânia e às 17h em Deir el-Balah, de modo a permitir a contagem dos votos durante o dia, devido à falta de energia elétrica.
Abbas nunca promoveu eleições
Em Gaza, controlada pelo Hamas desde 2007, esta é a primeira votação desde as eleições legislativas de 2006, vencidas pelo movimento. Segundo o cientista político Jamal al-Fadi, da Universidade Al-Azhar, no Cairo, a Autoridade Palestina só está realizando o pleito em Deir el-Balah para avaliar "seu sucesso ou fracasso, já que não houve eleições" desde o cessar-fogo precário adotado em outubro de 2025.
É também uma das poucas localidades no território, devastado por mais de dois anos de ataques aéreos israelenses, onde a população não foi deslocada em massa pela guerra, que já matou mais de 72 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
Abbas, de 90 anos, permanece no poder desde sua eleição, no início de 2005. Suas promessas de realizar eleições presidenciais e parlamentares nunca se concretizaram.
Com AFP