Chanceler da Rússia diz que EUA descartam convenções internacionais e buscam seus próprios interesses

24 abr 2026 - 20h29
(atualizado em 25/4/2026 às 14h37)

O ministro das Relações Exteriores da ‌Rússia, Sergei Lavrov, acusou os Estados Unidos de abandonar as convenções diplomáticas reconhecidas internacionalmente em busca de seus próprios interesses, principalmente no que diz respeito ao domínio dos mercados de energia, em uma entrevista transmitida nesta sexta-feira.

Lavrov, entrevistado pela televisão ⁠estatal russa, disse que Washington, em suas negociações com a ‌América Latina e o Oriente Médio, estava "nos levando de volta a um mundo onde nada existia" no direito internacional.

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"Os ‌Estados Unidos declararam oficialmente que ninguém ‌pode lhe dar ordens", disse ele na entrevista, cujo ⁠texto foi publicado no site do Ministério das Relações Exteriores.

"Eles se preocupam apenas com seu próprio bem-estar e estão prontos para defender esse bem-estar por qualquer meio -- golpes, sequestros ou assassinatos de líderes de países que possuem recursos naturais que ‌os americanos precisam."

"Venezuela, Irã — nossos colegas americanos não escondem que ‌isso se trata de ⁠petróleo. Eles ⁠têm uma doutrina de dominação nos mercados globais de energia."

Lavrov estava fazendo ⁠alusão à captura do ‌presidente venezuelano Nicolás Maduro ‌em uma operação militar dos EUA em janeiro e à morte do então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel ⁠no final de fevereiro.

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Os Estados Unidos, segundo Lavrov, "isolaram" a Europa, pedindo aos países europeus que abandonassem o gasoduto Nord Stream, agora danificado, que transportava gás russo para a Alemanha, e apoiando os pedidos da ‌União Europeia para desencorajar a Hungria e a Eslováquia de comprar gás russo.

"Essa não é uma abordagem para as relações ⁠internacionais. É uma tentativa de voltar à era colonial", disse Lavrov.

Mesmo ao buscar um acordo para a guerra de quatro anos na Ucrânia, disse ele, os Estados Unidos estavam promovendo os benefícios de "enormes oportunidades econômicas".

"Ao mesmo tempo, tudo o que acabei de descrever está acontecendo em paralelo. Estamos sendo empurrados para fora de todos os mercados globais de energia", disse ele.

"Se estivermos prontos para realizar projetos mutuamente benéficos em nosso território e fornecer aos norte-americanos o que lhes interessa... então nossos interesses também devem ser respeitados. Até agora, não estamos vendo isso."

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