Cidades italianas enfrentam 1ª greve de taxistas do ano

País também terá protestos no transporte local; Salvini convocou sindicatos

13 jan 2026 - 09h56
(atualizado às 11h04)

Cidades italianas enfrentam nesta terça-feira (13) o risco de paralisação com a primeira grande greve de taxistas de 2026, que atinge praticamente todo o país, do norte ao sul da península, com exceção da Úmbria.

A mobilização envolve profissionais ligados a cerca de 20 sindicatos e ocorre das 8h às 22h (horário local), com atos também previstos em Roma. Os taxistas protestam contra o governo e a crescente entrada de multinacionais no setor, como a Uber.

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Na capital da Itália, grupos vindos de diversas cidades se concentram no Aeroporto de Fiumicino, de onde partirá uma marcha em direção à Piazza Bocca della Verità. Em seguida, o ato seguirá até Montecitorio, onde está prevista uma "marcha estática" a partir das 11h.

Nem todas as entidades do setor aderiram à paralisação. O Sindicato Italiano de Radiotáxis (Uri) e o consórcio itTaxi declararam oposição ao protesto e decidiram não participar.

Durante a conferência da Liga "Visão do Turismo: Políticas, Territórios, Competências, Futuro", realizada no Senado, o vice-premiê e ministro de Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, comentou a greve.

"Convoquei uma reunião das associações para amanhã. Não quis interferir, então é justo que todos exijam o que desejam. Amanhã à tarde, convoquei uma reunião de todas as associações de taxistas no Ministério", afirmou.

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Em seu discurso, Salvini reconheceu a complexidade do tema: "Nesses três anos, realizei mesas-redondas muito complexas sobre resorts de praia, a Ponte do Estreito de Messina, trens de alta velocidade e desapropriações. Mas os encontros mais desafiadores foram aqueles entre os taxistas e empresas de serviços públicos; foram verdadeiras aventuras. É preciso chegar a um consenso".

As organizações que aderiram à greve reivindicam "regras claras" para as plataformas digitais, limites ao "poder excessivo dos algoritmos", a conclusão dos decretos de implementação da lei contra o transporte ilegal e a defesa do serviço de táxi como um serviço público local.

A Uiltrasporti afirma que o setor aguarda desde 2019 a regulamentação prometida. "O silêncio das instituições diante da entrada agressiva de multinacionais no setor não é mais tolerável", denuncia o sindicato, alertando que qualidade e segurança "não podem ser confiadas a aplicativos sem supervisão pública".

A Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL) também faz duras críticas ao governo da premiê Giorgia Meloni. Para o coordenador nacional da Unica Taxi CGIL, Nicola Di Giacobbe, a greve é "contra um governo que não cumpriu suas promessas".

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"É para defender o serviço público e o futuro dos taxistas que pagaram por uma licença emitida pela prefeitura e que trabalham de acordo com os turnos e horários definidos", afirmou.

Di Giacobbe enfatizou ainda que "não se pode deixar um algoritmo tomar decisões em detrimento dos serviços públicos", acusando o governo de conivência ou incapacidade de fazer cumprir a lei.

Em posição oposta, Uri e itTaxi reiteraram confiança no governo. O presidente Loreno Bittarelli criticou os organizadores da greve: "Quem promove essa paralisação deveria protestar contra si mesmo", afirmou, lembrando que algumas das entidades que hoje estão nas ruas defenderam mudanças na lei-quadro em 2019, o que teria criado um vazio regulatório com "consequências desastrosas".

A greve dos taxistas abre uma semana particularmente complicada para o transporte local na Itália, marcada por diversas paralisações regionais. Hoje, além dos táxis, funcionários da Busitalia Sita Nord, na Úmbria, cruzam os braços por 24 horas.

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No dia 14, o transporte de mercadorias será interrompido com a greve dos trabalhadores da Dinazzano Po e da Captrain Italia. No dia 15, funcionários de empresas do grupo ATM, em Milão, realizarão uma paralisação de 24 horas.

As interrupções continuam no dia 16, com greves em Molise (cinco horas para empresas de ônibus suburbanos), em Roma (quatro horas nas linhas Scoppio e Autoservizi Russo) e paralisações de 24 horas dos ônibus da Segesta em Palermo, da Etna Trasporti em Catania e da Interbus em Enna.

Ao longo do mês, novas mobilizações estão previstas: em 23 de janeiro, os funcionários da Trenitalia OMCC, em Santa Maria la Bruna, em Nápoles, farão greve de oito horas; no dia 29, os trabalhadores da Conerobus, em Ancona, ficarão parados durante todo o dia. No dia 30, haverá greve de oito horas na RFI - área de tráfego e horários de Bolonha - e de quatro horas nas empresas de ônibus Gallo, Giamporcaro e Sais.

A última paralisação do mês está marcada para 31 de janeiro e afetará o transporte aéreo, com greve de quatro horas dos controladores de tráfego aéreo da ENAV no aeroporto de Verona, com impacto em várias regiões. 

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