China confirma visita de Xi Jinping aos EUA em busca de 'estabilidade estratégica'

Pequim confirmou nesta segunda-feira (21) a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos e indicou que a prioridade da viagem será fortalecer a relação entre as duas maiores economias do mundo em meio às tensões que marcam o cenário internacional. Xi fará uma visita de Estado ao país entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), a convite do presidente Donald Trump.

21 set 2026 - 14h03
Resumo
Xi Jinping visitará os EUA para se reunir com Donald Trump em busca de estabilidade estratégica e diálogo bilateral. Apesar de atritos envolvendo comércio, tecnologia e Taiwan, os países tentam conter crises. Em reuniões prévias, autoridades discutiram temas econômicos e a criação de um canal de diálogo e cooperação sobre inteligência artificial para mitigar riscos de segurança. Analistas preveem a manutenção do clima diplomático, sem grandes rupturas ou avanços expressivos imediatos.

Será o segundo encontro entre os dois líderes neste ano, após a viagem de Trump a Pequim em maio, e o terceiro desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025. Segundo o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, os dois chefes de Estado discutirão as relações sino-americanas e temas ligados à paz e ao desenvolvimento global. 

Pequim confirma visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), a convite do presidente Donald Trump. Na foto, Trump visita Pequim em maio de 2026.
Pequim confirma visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), a convite do presidente Donald Trump. Na foto, Trump visita Pequim em maio de 2026.
Foto: via REUTERS - Kenny Holston / RFI

A China afirmou estar disposta a ampliar o diálogo e a cooperação com os Estados Unidos, administrar as divergências e fortalecer uma relação baseada na chamada "estabilidade estratégica", conceito defendido por Pequim desde os encontros entre os dois líderes. 

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As declarações refletem o esforço de Pequim para estabilizar a relação com Washington em um contexto de turbulências geopolíticas e de rivalidade crescente entre as duas potências. 

Durante a visita de Trump à China, em maio, os dois países já haviam anunciado uma visão comum para uma relação bilateral "construtiva" e baseada na estabilidade estratégica, com o objetivo de aumentar a cooperação e controlar os pontos de atrito. 

Nos últimos anos, Estados Unidos e China travaram uma intensa guerra comercial, marcada pela imposição de tarifas elevadas e diversas restrições econômicas. Os dois lados concordaram com uma trégua em outubro de 2025, reforçada durante o encontro de maio deste ano, mas um acordo duradouro ainda não foi alcançado. 

Comércio, tecnologia e Taiwan seguem no centro das divergências

Apesar das tensões, as exportações chinesas para os Estados Unidos cresceram 34,4% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados das autoridades aduaneiras chinesas.

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Além do comércio, Washington e Pequim disputam a liderança em setores estratégicos, sobretudo tecnologia e inteligência artificial. A situação de Taiwan e a proximidade entre China e Irã também continuam sendo fontes de divergência entre os dois países. 

Analistas não esperam avanços significativos nem choques diplomáticos durante o encontro desta semana. A avaliação predominante é que os dois líderes tentarão preservar o clima de diálogo. Como gesto diplomático e sinal de proximidade, Trump deve receber Xi Jinping pessoalmente na chegada aos EUA.

A visita integra uma intensa agenda internacional do líder chinês, que participou recentemente da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão, visitou o Egito e esteve presente em uma reunião dos Brics na Índia. 

EUA propõem à China mecanismo de diálogo sobre inteligência artificial 

Às vésperas do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, Estados Unidos e China iniciaram discussões para criar um canal de diálogo sobre inteligência artificial (IA), tema que ganha relevância diante das preocupações com os riscos da tecnologia.

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O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reuniu-se neste domingo (20), em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. A reunião preparatória para a cúpula presidencial abordou temas comerciais e também possíveis formas de cooperação em inteligência artificial.

Segundo autoridades americanas, a proposta prevê um mecanismo que permita alertar rapidamente o outro país caso um sistema de IA represente ameaça à segurança. "O que buscamos é definir uma visão comum dos nossos objetivos e das ameaças que enfrentamos", declarou Bessent após a reunião. 

O secretário do Tesouro afirmou ainda que é fundamental aumentar a transparência entre as duas maiores potências mundiais no setor da inteligência artificial. "Consideramos muito importante passar de uma situação de opacidade para uma relação de maior transparência entre a primeira e a segunda potências globais em IA", disse. 

A reunião ocorreu na sede do banco americano JPMorgan, em Nova York, e contou também com a participação do representante de Comércio da Casa Branca, Jamieson Greer. 

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Washington classificou o diálogo como positivo, enquanto o governo chinês ainda não comentou oficialmente o encontro. Segundo Bessent, uma nova reunião deverá ser realizada para aprofundar as discussões sobre o futuro mecanismo de cooperação. 

A iniciativa ocorre em um momento de forte preocupação internacional com a capacidade de controlar os avanços da inteligência artificial. Embora sejam rivais na corrida tecnológica, Estados Unidos e China enfrentam questionamentos semelhantes sobre os riscos de sistemas cada vez mais poderosos escaparem ao controle de seus criadores. 

RFI com agências

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