O Ministério do Comércio da China acusou os Estados Unidos nesta segunda-feira de "hegemonismo em IA" e ameaçou contramedidas depois que autoridades norte-americanas afirmaram que empresas chinesas de IA podem enfrentar investigações, sanções e restrições comerciais devido ao suposto roubo de tecnologia norte-americana.
O ministério afirmou que Washington estava ameaçando as empresas chinesas com punições com base em alegações de que elas teriam usado "destilação" para copiar modelos avançados de IA dos EUA, apesar do que chamou de falta de fundamentos factuais ou legais.
A destilação de modelos é uma técnica de treinamento de IA amplamente utilizada, na qual os desenvolvedores usam os resultados de um modelo mais capaz para treinar ou aprimorar outro sistema. Autoridades norte-americanas afirmam que distinguem entre a destilação legítima e a extração em larga escala, que equivale a roubo de propriedade intelectual.
"Para qualquer ação que cause dano substancial aos interesses chineses, a China tomará todas as medidas necessárias para proteger firmemente seus direitos e interesses legítimos", afirmou um porta-voz do ministério em comunicado.
Os comentários marcam uma escalada na disputa centrada na Moonshot AI, com sede em Pequim, cujo modelo Kimi K3, lançado recentemente, chamou a atenção por suas capacidades de programação e intensificou o debate em Washington sobre se os desenvolvedores chineses estão copiando modelos norte-americanos ou reduzindo rapidamente a lacuna tecnológica por meio de suas próprias pesquisas. A controvérsia ecoa a reação nos EUA à ascensão da startup chinesa DeepSeek no ano passado.
O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou na semana passada que o governo dos EUA possuía informações indicando que a Moonshot havia extraído o modelo Claude Fable 5, da Anthropic, para desenvolver o Kimi K3.