ChatGPT gerou depoimentos falsos em recurso de caso de homicídio nos EUA, diz tribunal

11 set 2026 - 12h16
Resumo
A Suprema Corte do Novo México multou em US$ 5.000 o advogado Stephen Aarons por apresentar um recurso de homicídio com depoimentos e testemunhas falsas criadas pelo ChatGPT. Considerado culpado por desacato por não checar as informações geradas pela inteligência artificial, Aarons alegou erro involuntário ao tentar resumir o processo, mas acabou afastado do caso e enviado para investigação disciplinar. O episódio amplia o histórico de punições a juristas que usam IA sem a devida checagem.

Um advogado de defesa que estava ‌recorrendo da condenação de seu cliente por homicídio apresentou uma petição contendo depoimentos policiais falsos e testemunhas fabricadas pelo ChatGPT, da OpenAI, informou a Suprema Corte do Novo México.

Ícone do aplicativo ChatGPT
5 de junho de 2026 
REUTERS/Dado Ruvic
Ícone do aplicativo ChatGPT 5 de junho de 2026 REUTERS/Dado Ruvic
Foto: Reuters

O tribunal multou na quarta-feira o advogado, Stephen Aarons, e o considerou culpado por desacato por não ter verificado a exatidão do documento apresentado ao tribunal. Aarons afirmou ter ⁠preparado o documento com ajuda da IA.

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O documento "continha depoimentos falsos de testemunhas totalmente inventadas", afirmou ‌o tribunal.

O tribunal também disse que Aarons "demonstrou falta de remorso e falta de preocupação com seu cliente". Os juízes multaram Aarons em US$5.000 e disseram que o ‌encaminharão a um conselho disciplinar da Ordem dos Advogados ‌para investigação.

Em declaração à Reuters, Aarons afirmou que havia usado o ChatGPT para ⁠resumir os autos do julgamento quando concordou em assumir o recurso do réu no ano passado, e que não compreendia até que ponto a IA poderia "inventar" fatos.

"Estou arrependido, mas tenho esperança de que o conselho disciplinar leve em consideração que foi um erro involuntário", disse. "É uma lição aprendida para todos os profissionais que dependem dessa tecnologia poderosa, ‌mas às vezes instável."

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A OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A sanção do ‌tribunal é o mais recente ⁠de um número crescente ⁠de casos em que juízes estaduais e federais puniram advogados por apresentarem documentos judiciais gerados por ⁠ferramentas de IA sem verificá-los adequadamente.

Dezenas de ‌advogados foram punidos por apresentar petições ‌nas quais a IA inventou citações de casos ou citou erroneamente a lei. O documento apresentado por Aarons parece ter ido além, contendo depoimentos de testemunhas fabricados em um recurso criminal.

Aarons, um advogado particular com sede em Santa Fé, ⁠estava cuidando do recurso de Oscar Renee Sandoval, que se declarou inocente no caso de assassinato da mãe de seus filhos, antes de ser condenado e sentenciado no ano passado à prisão perpétua.

O recurso ainda está pendente e foi atribuído, em 2 de setembro, a Kim Chavez Cook, uma defensora ‌pública do Novo México. Cook se recusou a comentar.

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A Promotoria do condado de Doña Ana também se recusou a comentar.

A Suprema Corte estadual ordenou no mês passado que ⁠Aarons explicasse como o material forjado -- que, segundo a corte, parecia incluir "declarações fictícias de que o atirador usava calças escuras e uma camisa branca" -- foi incluído em sua petição inicial no recurso.

Aarons disse ao tribunal, em uma audiência realizada em 21 de agosto, que inseriu uma transcrição gerada por computador e outros materiais do caso no ChatGPT, presumindo que o sistema geraria "um resumo à prova de balas".

Os juízes mostraram-se incrédulos diante do fato de Aarons não estar plenamente ciente de como a IA pode cometer erros.

"Advogado, o senhor assiste ao noticiário? O senhor ouve rádio? O senhor lê alguma coisa sobre o que está acontecendo no mundo?", perguntou a juíza C. Shannon Bacon na audiência. "Porque o problema de advogados confiarem em alucinações da IA é uma notícia de primeira página todos os dias."

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