Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém
Benyamin Netanyahu está na defensiva e tenta explicar sua decisão aos israelenses. Oficialmente, o primeiro‑ministro afirma ter aceitado esse cessar‑fogo para "dar uma chance" a uma solução política, a pedido de seu "amigo" Donald Trump. Mas, por trás da retórica dos "resultados importantes", a imagem do homem forte de Israel vacila.
Sob a tutela quase direta da Casa Branca, Netanyahu também precisa conter a fúria de sua ala direita, que denuncia uma capitulação antes de "terminar o trabalho". No Norte, a revolta não diminui: para os moradores, o acordo não é suficiente. Apesar da "zona de segurança" anunciada pelo governo, muitos se recusam a continuar vivendo sob a ameaça dos drones e dos ataques de foguetes do Hezbollah.
Netanyahu encurralado
Na Knesset, a oposição critica uma trégua ditada pelo exterior, e não pelos imperativos de segurança. Entre as exigências de Trump e uma opinião pública profundamente dividida, Benyamin Netanyahu aparece mais do que nunca encurralado, obrigado a navegar às cegas enquanto o Hezbollah, embora enfraquecido, continua armado, e não deve ser desarmado tão cedo.
A guerra contra o movimento xiita aliado de Teerã, retomada em 2 de março, permitiu afastar as "duas ameaças vindas do Líbano", afirmou Netanyahu em uma mensagem em vídeo: uma "ameaça próxima", de "infiltração de milhares de terroristas em nosso território" e de "tiros de mísseis antitanque contra nossas localidades", e uma "ameaça distante", a dos "mísseis e foguetes destinados a destruir as cidades de Israel".
"O Hezbollah de hoje não passa de uma sombra do que já foi (...) mas digo isso com honestidade: ainda não terminamos o trabalho", acrescentou ele, dirigindo‑se aos israelenses. E o objetivo do "desmantelamento do Hezbollah (...) repito com total franqueza (...) não será alcançado amanhã".