"Certificado", não eleito — Clayton, indicado por Trump para chefia da inteligência, se recusa a reconhecer que Biden venceu em 2020

15 jul 2026 - 18h47
(atualizado às 19h49)

O ‌indicado pelo presidente Donald Trump para o cargo de chefe do serviço de inteligência dos EUA, Jay Clayton, recusou-se nesta quarta-feira a reconhecer diretamente que o presidente republicano perdeu a eleição de 2020, apesar das repetidas perguntas feitas pelos democratas em uma tensa audiência de confirmação no Senado.

"Trump não está aqui hoje", disse o senador democrata Mark Kelly, do ⁠Arizona, a Clayton. "Se você não consegue discordar dele quando ele não está presente, será capaz ‌de discordar dele quando estiver sentado à sua frente?"

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Impulsionado pelas alegações infundadas do presidente republicano de que as eleições nos EUA são "manipuladas" e por sua recusa em aceitar a ‌derrota eleitoral de 2020 para o democrata Joe Biden, ‌o governo Trump tem buscado aumentar a supervisão federal das eleições nos EUA ⁠e mudar a forma como muitos norte-americanos votam.

Especialistas jurídicos afirmam que tais esforços tirariam poder dos Estados, violando a Constituição dos EUA.

Clayton limitou-se a dizer que Biden havia sido "certificado" como presidente, ao mesmo tempo em que insistiu: "Não sou um negacionista eleitoral".

Trump fará um discurso à nação na noite de quinta-feira sobre a eleição de 2020. Autoridades da Casa Branca afirmaram ‌que ele discutirá informações de inteligência recém-desclassificadas.

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A audiência de Clayton no Comitê de Inteligência do ‌Senado sobre sua indicação para ⁠o cargo de diretor ⁠de inteligência nacional tornou-se acalorada quando ele se recusou repetidamente a reconhecer que Biden havia sido eleito ⁠em 2020.

Pressionado por Kelly sobre se o vencedor ‌era a pessoa certificada como ‌vencedora pelo Congresso e que obteve o maior número de votos eleitorais, Clayton disse: "Acho que essa é a sua interpretação. Realmente, não vou continuar com isso."

Os parlamentares também questionaram Clayton sobre suas recentes intimações a jornalistas do New York Times em sua ⁠função atual como procurador federal de Manhattan.

A audiência desta quarta-feira foi a segunda marcada para Clayton pelo painel de Inteligência, depois que Trump ordenou, no mês passado, o adiamento repentino da primeira para pressionar o Congresso a aprovar um pacote contestado de restrições eleitorais conhecido como SAVE America Act (Lei Salvar a ‌América).

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Essa medida continua paralisada porque não conta com votos suficientes para ser aprovada no Senado. Grupos de defesa do direito ao voto afirmam que ela privaria milhões de norte-americanos ⁠de seus direitos eleitorais, uma vez que muitos não têm acesso imediato a passaportes e certidões de nascimento.

Os democratas pareciam dispostos a confirmar Clayton, na esperança de substituir rapidamente o diretor interino de Inteligência Nacional, Bill Pulte, um aliado próximo de Trump e diretor da Agência Federal de Financiamento Imobiliário, que não possui experiência em segurança nacional e inteligência. Pulte substituiu Tulsi Gabbard, que deixou o cargo em junho.

Mas o senador Chuck Schumer, de Nova York, líder democrata no Senado, afirmou que Clayton prejudicou suas chances.

"O desempenho de Jay Clayton na comissão hoje foi péssimo, e isso torna muito menos provável que ele consiga votos democratas", disse Schumer aos repórteres.

O senador Tom Cotton, do Arkansas, presidente republicano do comitê, disse que o Comitê de Inteligência votaria no início da próxima semana a indicação e a encaminharia para apreciação pelo plenário do Senado.

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