Um dos principais pontos turísticos da Alemanha, Catedral vai começar a cobrar taxa equivalente a R$ 70 a partir de julho. Segundo administração, valor coletado vai ajudar na manutenção e cobrir contas do santuário.A Catedral de Colônia, um dos locais mais visitados da Alemanha e Patrimônio Mundial pela Unesco, passará a cobrar 12 euros de entrada a turistas a partir do próximo mês de julho. O valor equivale a cerca de R$ 70.
A definição do valor foi comunicada nesta terça-feira (02/06) pelo decano do santuário, Guido Assmann.
Os planos de cobrança foram revelados pela primeira vez em março. Já o valor anunciado nesta semana é ligeiramente superior aos 10 euros propostos inicialmente pela arquiteta Barbara Schock-Werner, que preside a Associação Central de Construção da Catedral (ZDV), responsável pela preservação do santuário.
Altos custos de preservação
Desde a sua conclusão em 1880, a Catedral sempre teve entrada gratuita. Apenas o acesso à câmara do tesouro e ao topo das torres eram cobrados.
A entidade responsável pela administração da Catedral afirma que a nova taxa servirá para cobrir custos crescentes com manutenção, proteção e o funcionamento, que há anos excedem as receitas do santuário de quase 160 metros de altura.
Segundo a administração do santuário, a Catedral vem acumulando prejuízos desde 2019. "Chegamos a um ponto em que as reservas da Catedral de Colônia estão esgotadas por tempo indeterminado", disse o tesoureiro Clemens van de Ven.
A Catedral de Colônia é visitada anualmente por cerca de 6 milhões de pessoas.
O custo de manutenção do edifício é estimado em 16 milhões de euros por ano (R$ 93,5 milhões) — cerca de 44 mil euros por dia.
"A Catedral custa dinheiro; a Catedral precisa de muito dinheiro", disse Clemens van de Ven. "Naturalmente, a taxa de entrada de 12 euros é, portanto, mais do que bem-vinda."
O decano Guido Assmann, por sua vez, afirmou que a igreja "acompanhou de perto o debate público" sobre a instuição de taxas de entrada. "Juntamente com as críticas, recebemos também muitos comentários compreensivos, que deixaram claro: muitas pessoas estão cientes de que a manutenção e a conservação da catedral exigem financiamento confiável e sustentável", disse Assmann.
Entre os principais defensores da cobrança de ingresso estão o pintor Gerhard Richter, que criou um dos vitrais da Catedral nos anos 2000, e o apresentador de TV Guido Cantz. Outras celebridades, como o comediante Hape Kerkeling, a feminista Alice Schwarzer e o ex-ministro da Saúde Karl Lauterbach, manifestaram-se contra a cobrança de ingresso.
Exceções
Crianças até aos 13 anos de idade vão poder contar com entrada gratuita. Também está prevista uma tarifa reduzida de seis euros para estudantes. Pessoas com deficiência grave e os seus acompanhantes também serão isentos da tarifa.
A entrada gratuita será também oferecida em determinados dias, como feriados religiosos e eventos especiais selecionados.
Além disso, a catedral planeja continuar permitindo a entrada gratuita para fiéis que vêm para orar ou acender velas. Assmann disse acreditar que cerca de 99% dos visitantes da catedral são turistas que se limitam a admirar a construção.
Pela entrada norte, as pessoas continuarão tendo acesso gratuito a uma pequena área da catedral reservada para oração. Para a entrada principal oeste, os visitantes precisarão de um ingresso, que lhes permitirá ver todo o edifício.
Assmann apontou que há "risco" de pessoas tentarem burlar o sistema, mas disse que o santuário espera contar com a boa vontade das pessoas em vez de tentar controlar o acesso para oração.
Cobrança contrasta com outros templos na Alemanha
A maioria das igrejas alemãs tem entrada gratuita, embora muitas solicitem pequenas taxas ou doações para certas atividades, como tirar fotos no interior.
Antes de Colônia, uma exceção notável era a Catedral de Berlim, que cobra uma taxa de entrada padrão de 15 euros (R$ 87).
Essas cobranças são mais comuns em outros lugares da Europa e, às vezes, podem ser mais altas. A Sagrada Família, em Barcelona, cobra 26 euros (R$ 152), a Catedral de Viena, cobra 29 euros (R$ 169), e a Abadia de Westminster, em Londres, cobra 31 libras (R$ 209) de adultos.
Já outros locais, como a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e a Catedral de Notre-Dame, em Paris, não cobram entrada.
Jps (ots, DW)