Casa Branca vai sediar conversas entre Líbano e Israel em meio à pressão por extensão do cessar-fogo

23 abr 2026 - 17h32

O presidente dos ‌Estados Unidos, Donald Trump, vai cumprimentar pessoalmente os enviados do Líbano e de Israel na Casa Branca nesta quinta-feira, quando eles se encontrarem para uma segunda rodada de negociações facilitadas pelos EUA, com Beirute buscando estender um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah um dia após ataques israelenses matarem pelo menos cinco pessoas, incluindo uma jornalista.

Alcançado após conversas entre os embaixadores das duas nações em Washington na semana passada, o cessar-fogo com prazo de vigência até o domingo resultou em uma redução significativa da violência. No entanto, os ataques continuaram ⁠no sul do Líbano, onde tropas israelenses tomaram uma zona tampão autodeclarada.

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O Hezbollah, apoiado pelo Irã, diz que tem "o direito de resistir" às ‌forças de ocupação.

Uma autoridade dos EUA afirmou que as conversas desta quinta-feira, que ocorreriam no Departamento de Estado, estavam sendo transferidas para a Casa Branca, e Trump deve cumprimentar os embaixadores em sua chegada.

"É um sinal da importância que está sendo dada a eles ‌e da prioridade. Acho que há um sentimento de otimismo de que a bola ‌pode avançar", disse uma outra fonte informada sobre o assunto.

O presidente libanês, Joseph Aoun, disse nesta quinta-feira que a embaixadora do ⁠Líbano nos EUA, Nada Moawad, deve buscar uma extensão do cessar-fogo e uma interrupção das demolições realizadas por Israel em vilarejos no sul.

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Contatos recentes com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio se concentraram em interromper a escalada e lançar negociações com o objetivo de encerrar o estado de guerra, garantir a retirada de Israel do território ocupado e enviar o Exército libanês para a fronteira internacional, disse a presidência libanesa em um comunicado.

O Exército israelense disse nesta quinta-feira que matou dois indivíduos armados no sul do Líbano após identificá-los ‌se aproximando de soldados e representando o que descreveu como "uma ameaça imediata".

Não ficou imediatamente claro se o incidente estava relacionado a ataques em ‌áreas próximas anteriormente relatados pelo Ministério da Saúde ⁠do Líbano, informando que um ataque ⁠aéreo israelense matou três pessoas e um bombardeio de artilharia feriu outras duas, incluindo uma criança.

Quarta-feira foi o dia mais mortal do Líbano desde ⁠a entrada em vigor do cessar-fogo, em 16 de abril.

Entre os mortos pelos ataques ‌israelenses estava a jornalista libanesa Amal Khalil, de ‌acordo com um oficial militar libanês sênior e seu empregador, o jornal Al-Akhbar.

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O parlamentar do Hezbollah, Hassan Fadlallah, disse que o grupo quer a continuidade do cessar-fogo, mas "com base no cumprimento total por parte do inimigo israelense". Em uma coletiva de imprensa televisionada, ele reiterou as objeções do Hezbollah às conversas face a face e pediu ao governo que cancele todas as ⁠formas de contato direto com Israel.

As hostilidades entre o Hezbollah e Israel reacenderam-se em 2 de março, quando o grupo abriu fogo em apoio ao Irã na guerra regional em curso. O cessar-fogo no Líbano surgiu paralelamente aos esforços de Washington para resolver seu conflito com Teerã, embora o Irã tenha solicitado que o Líbano fosse incluído em qualquer trégua mais ampla.

O Hezbollah disse que realizou quatro operações no sul do Líbano na quarta-feira em resposta aos ataques ‌israelenses.

Cerca de 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel entrou na ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, de acordo com as autoridades libanesas.

Israel ocupa um cinturão no sul que se estende por 5 a 10km até o ⁠Líbano, dizendo que seu objetivo é proteger o norte de Israel dos ataques do Hezbollah, que disparou centenas de foguetes durante a guerra.

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As Forças Armadas de Israel reiteraram um aviso aos residentes do sul do Líbano para não atravessarem a área.

Fadlallah disse que o cumprimento total do cessar-fogo significa que Israel deve "interromper os assassinatos, cessar completamente o fogo... interromper a destruição de vilarejos", e em seguida abrir caminho para a retirada israelense por meio de "procedimentos realizados pelo Estado libanês, mas não por meio de negociações diretas".

Uma autoridade libanesa disse que Beirute quer uma extensão do cessar-fogo como pré-requisito para que as conversas se estendam além do nível de embaixador para a próxima fase, na qual o Líbano pressionaria por uma retirada israelense, o retorno dos libaneses detidos em Israel e uma delimitação da fronteira terrestre.

Israel diz que seus objetivos nas conversas com o Líbano incluem garantir o desmantelamento do Hezbollah e criar condições para um acordo de paz. 

Israel será representado por seu embaixador em Washington, Yechiel Leiter. Rubio foi o anfitrião da primeira reunião entre Leiter e Moawad em 14 de abril -- contato de mais alto nível entre o Líbano e Israel em décadas.

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