Campanha na Itália pede Nobel da Paz para crianças de Gaza

Iniciativa ganhou a adesão de diversas lideranças políticas no país

13 ago 2026 - 10h32
(atualizado às 11h06)

Uma campanha lançada na Itália pede que o próximo Prêmio Nobel da Paz seja concedido às crianças da Faixa de Gaza, enclave palestino devastado pela recente guerra entre Israel e Hamas.

Crianças palestinas posam para foto em meio a escombros em Jabalia, ao norte da Cidade de Gaza
Crianças palestinas posam para foto em meio a escombros em Jabalia, ao norte da Cidade de Gaza
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A iniciativa foi lançada pelo professor de filosofia Eugenio Mazzarella, da Universidade de Nápoles Federico II, em um texto publicado no jornal católico Avvenire e já ganhou a adesão de diversas personalidades do mundo político.

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Segundo Mazzarella, dar o Nobel da Paz às crianças de Gaza, "que ainda estão morrendo porque a paz prometida não chegou", seria um "ato de verdade e justiça", além de um reconhecimento para toda a infância que sofre com conflitos armados.

"As vítimas inocentes da guerra não são apenas as crianças de Gaza: há as crianças israelenses mortas no sangrento ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e aquelas que morreram posteriormente em prisões terroristas. Há crianças ucranianas e russas, e há os pequenos iranianos e sudaneses", escreveu o docente.

A campanha recebeu adesão imediata de expoentes políticos na Itália, a começar pela principal liderança de oposição no país atualmente, a deputada Elly Schlein, secretária do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.

"Apoio o apelo para que o Prêmio Nobel da Paz seja concedido às crianças de Gaza, pela falta de paz", disse ela em um comunicado, explicando que, "apesar da trégua, pessoas continuam morrendo" no enclave, tanto "sob as armas do exército israelense e pelos crimes de Netanyahu quanto devido à falta de alimentos, água e medicamentos".

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"O Unicef diz que morreu uma criança por dia em Gaza desde o início da guerra. As ajudas humanitárias necessárias aos palestinos nunca chegaram, e a fome é usada como arma de guerra", acrescentou Schlein, cuja família é de origem judaica.

Pierluigi Bersani, ex-ministro e ex-secretário do PD, também se juntou à campanha e afirmou que dar o Nobel da Paz às crianças de Gaza significaria "quebrar o silêncio e restituir um pouco de voz à humanidade".

Já o deputado Angelo Bonelli, líder da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), cobrou a adesão do governo da premiê de direita Giorgia Meloni. "Após ter proposto Trump ao Nobel da Paz, Meloni poderia fazer a coisa certa aderindo ao apelo do Avvenire", ressaltou o político, salientando que as crianças "pagam o preço das políticas criminosas" do premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

Por outro lado, o presidente da Comunidade Judaica de Milão, Walker Meghnagi, criticou a proposta e declarou que incluir apenas os palestinos representa um "apartheid moral".

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"Eu também choro pelas crianças palestinas vítimas desse conflito terrível, mas traçar uma linha de demarcação no sofrimento dos menores é perigoso. Essa iniciativa unilateral anula as crianças judaicas, também atingidas por uma guerra que não foi desejada por Israel. É um apartheid moral: não se pode sofrer pelas crianças de um lado sem sofrer também pelas do outro", disse.

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