O aeroporto de Catânia, o quinto mais movimentado da Itália, anunciou que vai suspender todas as chegadas e partidas até as 2h de 14 de agosto (21h desta quinta-feira pelo horário de Brasília), anunciou seu operador, a SAC. Os passageiros foram orientados a verificar o status de seus voos junto às companhias aéreas antes de se deslocarem ao aeroporto.
Essas restrições prolongadas, que vêm acontecendo desde o início do mês, em plena temporada de verão, afetam milhares de passageiros e aumentam a pressão sobre outros aeroportos sicilianos.
O Etna, um dos vulcões mais ativos da Europa, frequentemente interrompe o tráfego aéreo em Catânia. Mas a atividade do vulcão siciliano, em curso desde 6 de agosto, está mais intensa que fases eruptivas anteriores e continua de forma constante, afirmou Marco Viccaro, presidente da Associação Italiana de Vulcanologia.
"Isso sugere que um magma mais profundo e rico em gás está desempenhando um papel mais ativo, tornando o processo de fragmentação mais eficiente e aumentando a produção de cinzas, o que perturba fortemente o tráfego aéreo para o aeroporto de Catânia", acrescentou.
A fase eruptiva mais recente continua ativa a partir de bocas situadas a 2.750 metros e 2.360 metros de altitude, formando extensos campos de lava, informou o Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia (INGV).
O nível de alerta do Observatório Vulcânico para a Aviação (VONA) do INGV permanecia no nível máximo, "vermelho", indicando riscos persistentes para as aeronaves devido às emissões de cinzas vulcânicas.
"Erupção turística"
Imagens de rios de lava descendo as encostas do Etna em erupção atraíram multidões de turistas ao vulcão italiano. Empresas que organizam caminhadas noturnas para observar a erupção de perto dizem estar sobrecarregadas de pedidos. "Todo mundo quer vir ver", afirmou à AFP a guia local Daniele Perricelli.
O grupo dela leva todas as noites algumas dezenas de visitantes ao vulcão, mas atualmente recebe cerca de 300 solicitações por dia, três vezes mais que em um dia comum de verão, explicou. Outro guia local, Ernesto Maria Magri, classificou o fenômeno como uma "erupção turística", observando que muitos moradores da região também sobem para ver a lava, "às vezes de forma desordenada".
Muitos tentam subir por conta própria, uma prática arriscada, segundo Perricelli, que alerta para a instabilidade do vulcão. "Até 2 mil pessoas fazem a subida todas as noites: as trilhas estão lotadas", lamentou. "Ontem vimos gente de chinelo", acrescentou, pedindo mais vigilância das autoridades.
Alguns visitantes foram criticados nas redes sociais por tirarem fotos aparentemente muito perto da lava incandescente. Os guias, porém, explicam que é possível se aproximar a poucos metros das correntes de lava nas áreas de menor altitude, onde o material já esfriou.
Pelas regras vigentes, visitantes podem subir sozinhos até cerca de 2.400 metros de altitude, mas precisam estar acompanhados de um guia para ir além desse ponto.
O cume chega a 3.324 metros. A agência italiana de proteção civil emitiu alerta amarelo para o Etna, o segundo nível de uma escala de quatro, que vai do verde ao vermelho, indicando erupções frequentes e possíveis explosões.
Com AFP