Bancos de sangue são alvos de ataques cibernéticos na França; Itália eleva atenção

Hackers elevaram temperatura de unidades de refrigeração

4 nov 2026 - 16h07
(atualizado às 16h28)
Resumo
O Estabelecimento Francês de Sangue sofreu um ataque cibernético que alterou a temperatura de câmaras frias, mas alarmes evitaram a perda dos estoques que atendem a quase dois mil hospitais. A ação integra uma onda de invasões a sistemas de refrigeração industrial já reportada em países como Itália, Alemanha e Reino Unido. Diante da escalada das ameaças à cadeia de frio e aos serviços essenciais de saúde pública, a Itália elevou o nível de vigilância de seus bancos de sangue e redes nacionais.

O Estabelecimento Francês de Sangue (EFS) informou nesta quarta-feira (4) que as câmaras frias que continham estoques de sangue de doadores foram alvo de um ataque cibernético.

Hackers elevaram temperatura de unidades de refrigeração
Hackers elevaram temperatura de unidades de refrigeração
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

As autoridades locais afirmaram que invasores acessaram os sistemas de controle remoto do serviço e elevaram a temperatura de três unidades de refrigeração que armazenavam bolsas de sangue, em uma aparente escalada das recentes ofensivas contra sistemas de refrigeração e congeladores em diversos países da Europa.

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O EFS esclareceu que os limites de temperatura e descongelamento foram alterados para "níveis extremamente altos" durante a invasão, mas ressaltou que os sistemas de alarme automáticos permitiram que as equipes técnicas interviessem a tempo, evitando que os insumos fossem comprometidos.

A instituição é a operadora pública encarregada da transfusão de sangue na França, sendo responsável pela coleta, análise, preparação e distribuição de sangue, plasma e hemoderivados para quase dois mil hospitais em todo o país. O órgão atende mais de um milhão de pacientes anualmente.

Na última terça-feira (3), comerciantes na Itália, Alemanha, Romênia e Reino Unido já haviam sido vítimas de ataques semelhantes, ocorridos dias após nações como Bélgica, Holanda e Suécia relatarem falhas operacionais em seus sistemas de refrigeração industrial.

Como medida de precaução, o Centro Nacional de Sangue (CNS) da Itália, por meio de sua diretora Luciana Teofili, solicitou que os bancos de sangue do país elevem o nível de vigilância de sua infraestrutura tecnológica diante da onda de invasões.

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A Agência Nacional de Cibersegurança da Itália também reforçou a necessidade urgente de proteger as redes nacionais contra potenciais investidas do mesmo tipo.

"Reiteramos nosso apelo a todas as entidades públicas e privadas que utilizam tecnologias para a manutenção da cadeia de frio, bem como sistemas industriais de controle remoto e supervisão, para que adotem, com a máxima urgência, as medidas de verificação e mitigação recomendadas", alertou a agência em nota.

O órgão sublinhou ainda que o comprometimento desses equipamentos "poderia levar à interrupção dos processos de refrigeração e à deterioração de produtos e materiais armazenados, ou até mesmo à indisponibilidade de serviços essenciais, com potenciais repercussões para a continuidade operacional e a saúde pública".

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