O Banco Mundial enviou funcionários e recursos para o leste da República Democrática do Congo para responder ao surto de Ebola, e está montando um pacote de financiamento para garantir que mais fundos possam ser disponibilizados rapidamente, disse uma autoridade de alto escalão do banco.
Monique Vledder, que dirige o departamento de saúde global do Banco Mundial, disse à Reuters que o banco também está muito preocupado com os países vizinhos Sudão do Sul e Burundi, que têm sistemas de resposta fracos. Uganda, que já registrou dois casos de Ebola, tem um sistema de saúde pública forte, mas também enfrenta algumas lacunas de financiamento, acrescentou.
Vledder não forneceu detalhes imediatos sobre a amplitude do pacote de financiamento, mas ficou claro que mais recursos serão necessários nos próximos meses.
A RDC tem um programa de saúde de US$250 milhões com o Banco Mundial, aprovado em março de 2024 para ajudar o país da África Central a detectar e responder a surtos e outras emergências. Cerca de US$200 milhões desses fundos não foram desembolsados e continuam disponíveis, segundo dados do Banco Mundial.
As Nações Unidas liberaram cerca de US$60 milhões de um fundo de emergência nesta sexta-feira para ajudar a conter o surto. Os Estados Unidos também estão enviando uma equipe de resposta rápida e, nesta semana, disseram que devem financiar cerca de 50 clínicas de resposta emergencial.
"Estamos reunindo hoje e no início da próxima semana um pacote completo, no qual utilizaremos diferentes tipos de mecanismos de financiamento que nos ajudarão a disponibilizar mais recursos de forma rápida", disse Vledder.
Até o momento, 82 casos foram confirmados no Congo, com sete mortes confirmadas, 177 mortes suspeitas e quase 750 casos suspeitos. Dois casos também foram confirmados em Uganda.
O Ebola é um vírus frequentemente fatal que causa febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. Ele se espalha por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram da doença.
Vledder lembrou que não há vacina ou tratamento terapêutico disponível para a cepa Bundibugyo do Ebola associada a esse surto, e seus sintomas iniciais são muito semelhantes aos da malária e da febre tifoide, o que dificulta o diagnóstico. O vírus Ebola Bundibugyo (BDBV) tem uma taxa de fatalidade de até 40%.
"O controle realmente dependerá de medidas de saúde pública muito rápidas e em larga escala, como detecção de casos, rastreamento de contatos, enterros seguros e dignos e muito envolvimento da comunidade", disse ela.