Os funcionários exigem medidas de segurança em relação ao uso de inteligência artificial (IA), que, segundo afirmam, ameaça seus empregos.
Por causa do movimento grevista, o grupo ABC — que opera rádio, televisão e um site de notícias — teve de substituir a programação ao vivo por conteúdos gravados. A paralisação começou às 11h (horário local), após semanas de negociações fracassadas.
A ação foi convocada após a rejeição, pela maioria dos trabalhadores, da última oferta salarial apresentada pela direção da empresa em março, considerada insuficiente diante da inflação. A queda na receita publicitária e a ascensão das mídias sociais contribuíram para uma onda de demissões no setor de mídia australiano.
"Os funcionários da ABC querem salários justos, segurança no emprego e salvaguardas em relação ao uso de tecnologias como a IA, para proteger a integridade editorial e a confiança pública", declarou o sindicato da categoria.
O sindicato MEAA (Media, Entertainment & Arts Alliance), que representa grande parte dos trabalhadores da ABC e também profissionais do audiovisual em todo o país, aponta três eixos centrais para a paralisação: salários que acompanhem o custo de vida; fim da insegurança contratual; e proteções contra o uso indiscriminado de inteligência artificial.
Repercussão nacional
O movimento ganhou repercussão em todo o país. Na porta das redações, cartazes pediam "trabalho justo", "proteção contra IA" e "segurança para o futuro do jornalismo público". Em algumas regiões, voluntários ajudaram a manter no ar apenas serviços essenciais, como transmissões de emergência.
A greve ocorre em um momento sensível para o setor audiovisual australiano. Relatórios da Screen Australia, a agência nacional de fomento ao audiovisual, mostram queda expressiva nos investimentos na produção local, com recuo de 29% nos gastos da indústria entre 2023 e 2024 — sinal de que a crise não se limita ao jornalismo, mas afeta todo o ecossistema de cinema, TV e streaming.
Para muitos trabalhadores, o dia de hoje simboliza não apenas uma reivindicação econômica, mas a defesa do papel da mídia pública e da produção audiovisual como bens culturais essenciais à democracia australiana.
Com agências